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AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO GERIÁTRICA COMO FATORE DE RISCO PARA HOSPITALIZAÇÕES EM IDOSOS RESIDENTES NA EUROPA – UM ESTUDO DE COORTE BASEADO NOS DADOS DAS ONDAS 8 E 9 DO PROJETO SURVEY OF HEALTH, AGING AND RETIREMENT IN EUROPE (SHARE)

TORRES, Sofia Dalpiaz¹; FRANÇA, Manuela Andréa Conrad de²; BERNARDELLI, Rafaella Stradiotto³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional amplia a ocorrência de doenças crônicas e problemas de saúde mental entre idosos. Nesse contexto, os sintomas depressivos são frequentes e podem estar relacionados à maior vulnerabilidade clínica e utilização de serviços de saúde, justificando a investigação de seus efeitos sobre desfechos subsequentes. OBJETIVOS: Avaliar a influência da depressão geriátrica na ocorrência de hospitalizações em idosos residentes na Europa, a partir dos dados das ondas 8 e 9 do projeto Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE). MATERIAIS E MÉTODO: Estudo de coorte realizado por meio da vinculação individual de dados de participantes das ondas 8 (linha de base, 2019–2020) e 9 (seguimento, 2021–2022) do projeto SHARE, aprovado pelo Comitê de Ética da Sociedade Max Planck. Foram considerados com elegíveis os residentes na Europa que que participaram de ambas as ondas. Destes, foram excluídos os que, na onda 8, tinham menos de 60 anos, residiam em instituições de longa permanência, apresentavam limitações em atividades básicas ou instrumentais da vida diária (ABVD/AIVD), não possuíam registro dessas limitações ou apresentavam resposta ausente para a European Depression Scale (EURO-D) de avaliação de sintomas depressivos em idosos. Também foram excluídos participantes sem registros de ABVD/AIVD ou hospitalização na onda 9. A exposição foi a presença de sintomas depressivos clinicamente relevantes, definida por pontuação EURO-D ≥4 na onda 8. O desfecho foi a ocorrência de pelo menos uma hospitalização por qualquer causa nos 12 meses anteriores à entrevista da onda 9. A associação foi estimada por modelos de regressão linear generalizada com distribuição de Poisson com variância robusta, com ajuste hierárquico de covariáveis sociodemográficas e clínicas. Os resultados foram apresentados em risco relativo (RR) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). RESULTADOS: Foram analisados 24.764 idosos, com idade média de 70,4 ± 6,9 anos, dos quais 55,1% eram mulheres. Na linha de base, 19,3% apresentavam sintomas depressivos clinicamente relevantes e maior carga clínica e psicossocial. A hospitalização por qualquer causa nos 12 meses anteriores à onda 9, realizada aproximadamente 12 a 25 meses após a onda 8, foi mais frequente entre participantes com sintomas depressivos (17,1% versus 11,9%). Na análise não ajustada, o risco de hospitalização foi 44,0% maior nesse grupo (RR = 1,440; IC95%: 1,337–1,551). Após ajuste progressivo por características sociodemográficas, multimorbidade, obesidade, hospitalização prévia, inatividade física, dor crônica e comprometimento da memória, a associação permaneceu estatisticamente significativa, com risco 33,9% maior entre participantes com sintomas depressivos clinicamente relevantes (RR = 1,339; IC95%: 1,239–1,447). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Sintomas depressivos clinicamente relevantes em idosos europeus associaram-se a maior risco de hospitalização subsequente, mesmo após o controle de importantes fatores clínicos e sociodemográficos. Os achados reforçam a importância do rastreamento desses sintomas no acompanhamento do idoso, visando à prevenção de hospitalizações e à promoção do envelhecimento saudável.

PALAVRAS-CHAVE: Depressão geriátrica; Hospitalização; Idosos; Estudo de coorte; Envelhecimento.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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