DIAGNÓSTICO DERMATOLÓGICO EM PELES NEGRAS: BARREIRAS, ESTIGMAS E PERSPECTIVAS PARA UMA MEDICINA MAIS EQUITATIVA
INTRODUÇÃO: A população negra brasileira enfrenta desigualdades históricas no acesso e na qualidade da assistência à saúde, refletindo processos de racismo estrutural que também influenciam a formação médica. Na dermatologia, a predominância de materiais didáticos e referências clínicas baseadas em fototipos claros contribui para a invisibilização das manifestações dermatológicas em peles negras, dificultando o reconhecimento de doenças e favorecendo atrasos diagnósticos. OBJETIVOS: Analisar os aspectos dermatológicos relacionados à dificuldade diagnóstica em pessoas de pele negra, articulando-os às relações étnico-raciais, aos estigmas presentes na formação médica e às implicações para a prática clínica. MATERIAIS E MÉTODO: Realizou-se um estudo exploratório e descritivo, com abordagem mista, composto por revisão narrativa da literatura, reflexão teórico-interpretativa fundamentada na Hermenêutica de Profundidade de John B. Thompson, além da aplicação de questionário estruturado a estudantes de Medicina, médicos generalistas, residentes e especialistas. Os dados quantitativos foram organizados em frequências absolutas e relativas, enquanto as respostas discursivas foram submetidas à análise temática descritiva. RESULTADOS: Observou-se que a maioria dos participantes relatou ausência de abordagem específica sobre dermatologia em peles negras durante a graduação, acesso limitado a imagens representativas e percepção de preparo insuficiente para reconhecer dermatoses nesses pacientes. Também foi identificada insegurança diagnóstica diante de condições como eritema, dermatite atópica, psoríase e melanoma em pele negra, além de consenso quanto à necessidade de maior representatividade de diferentes fototipos nos materiais didáticos. As respostas qualitativas destacaram a falta de treinamento específico, a baixa exposição prática e a escassez de recursos educacionais como principais fatores associados às dificuldades diagnósticas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados indicam que as dificuldades diagnósticas em pessoas negras estão relacionadas não apenas a aspectos técnicos, mas também à insuficiente abordagem da diversidade racial na formação médica. A ampliação de conteúdos sobre dermatologia em diferentes fototipos, associada à revisão dos materiais didáticos e ao fortalecimento da educação médica voltada para a equidade racial, pode contribuir para reduzir iniquidades diagnósticas e promover uma assistência mais qualificada à população negra.
PALAVRAS-CHAVE: Dermatologia; Saúde da população negra; Educação médica; Equidade em saúde; Racismo estrutural.
Votação encerrada.