AVALIAÇÃO DA DEPRESSÃO GERIÁTRICA COMO FATORE DE RISCO PARA LIMITAÇÃO EM ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA EM IDOSOS RESIDENTES NA EUROPA – UM ESTUDO DE COORTE BASEADO NOS DADOS DAS ONDAS 8 E 9 DO PROJETO SURVEY OF HEALTH, AGING AND RETIREMENT IN EUROPE (SHARE)
INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional global amplia a prevalência de condições crônicas e de problemas de saúde mental. Entre eles, destacam-se os sintomas depressivos, associados à perda de autonomia e ao maior risco de incapacidade funcional em idosos. OBJETIVOS: Avaliar a influência da depressão geriátrica na incidência de limitações em atividades básicas (ABVD) e instrumentais (AIVD) de vida diária em idosos europeus, utilizando dados das ondas 8 e 9 do projeto Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE). MATERIAIS E MÉTODO: Estudo de coorte baseado nos dados das ondas 8 (10/2019 a 03/2020) e 9 (10/2021 a 03/2022) do SHARE, aprovado pelo Comitê de Ética da Sociedade Max Planck. Foram considerados com elegíveis os residentes na Europa que que participaram de ambas as ondas. Destes, foram excluídos os que, na onda 8, tinham menos de 60 anos, residiam em instituições de longa permanência, apresentavam limitações em atividades básicas ou instrumentais da vida diária (ABVD/AIVD), não possuíam registro dessas limitações ou apresentavam resposta ausente para a European Depression Scale (EURO-D) de avaliação de sintomas depressivos em idosos. Também foram excluídos participantes sem registros de ABVD/AIVD ou hospitalização na onda 9. A exposição foi a presença de sintomas depressivos clinicamente relevantes, definida por pontuação EURO-D ≥4 na onda 8. O desfecho foi a incidência de limitação em uma ou mais ABVD e/ou AIVD na onda 9, após acompanhamento médio de 25 meses. Modelos lineares generalizados com distribuição de Poisson com estimador robusto de variância foram utilizados para estimar riscos relativos (RR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) da presença de sintomas depressivos na incidência de limitação funcional, com ajuste hierárquico por fatores sociodemográficos, clínicos, cognitivos e comportamentais. RESULTADOS: Foram analisados dados de 24.764 idosos com idade média de 70,4 ± 6,9 e 55,1% do sexo feminino. Na linha de base (onda 8), 19,3% apresentavam sintomas depressivos clinicamente relevantes (EURO-D≥4). A incidência de limitações funcionais na onda 9 foi de 20,7% entre os idosos com sintomas depressivos clinicamente relevantes e de 11,5% entre aqueles sem esses sintomas. Na análise não ajustada, os sintomas depressivos associaram-se a risco 79,8% maior de limitação funcional (RR = 1,798; IC95%: 1,678–1,927; p<0,001). No modelo final, ajustado por idade, sexo, escolaridade, região, residir sozinho, multimorbidade somática, obesidade, comprometimento da memória tardia, inatividade física, dor crônica e hospitalização recente, os sintomas depressivos permaneceram como fator de risco independente para a incidência de limitação em uma ou mais ABVD/AIVD (RR = 1,329; IC95%: 1,238 – 1,426; p < 0,001). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Sintomas depressivos clinicamente relevantes constituíram fator de risco independente para a incidência de limitações funcionais em idosos europeus residentes na comunidade. Os achados reforçam a importância do rastreamento da saúde mental e do acompanhamento precoce desses indivíduos para prevenir incapacidades e promover a autonomia no envelhecimento.
PALAVRAS-CHAVE: Depressão Geriátrica; Atividades da Vida Diária; Idoso; Estudo de Coorte; Envelhecimento.
Votação encerrada.