INFLUÊNCIA DO POLIMORFISMO DO RECEPTOR DA OCITOCINA NO APEGO MÃE-FILHO
INTRODUÇÃO: O sistema neurobiológico da ocitocina tem sido investigado quanto ao seu papel na modulação do comportamento social, da regulação emocional e do desenvolvimento do apego entre mãe e filho. O gene que codifica o receptor de ocitocina (OXTR) apresenta polimorfismos que podem modificar a interação entre o receptor e seu ligante, influenciando processos relacionados ao vínculo materno-infantil. OBJETIVOS: Analisar a influência do polimorfismo do receptor da ocitocina rs2254298 sobre o desenvolvimento apego mãe-filho avaliado pela escala Maternal Postnatal Attachment Scale (MPAS) durante a avaliação de 3 meses de puerpério das mães. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional realizado com 69 puérperas avaliadas aos três meses de puerpério. Foram coletados dados sociodemográficos, obstétricos e psiquiátricos por meio de questionários padronizados, enquanto o apego materno-infantil foi mensurado pela escala MPAS. A genotipagem do polimorfismo rs2254298 foi realizada por técnicas de biologia molecular, sendo avaliados os modelos genotípico, dominante e recessivo. Foi calculado o equilíbrio de Hardy-Weinberg da amostra. Esse projeto foi aprovado pelo comitê de ética e todas as participantes assinaram termo livre e esclarecido. RESULTADOS: Observou-se predominância do genótipo GG (76,8%), seguido pelos genótipos AG (17,4%) e AA (5,8%). A amostra não se encontrava em equilíbrio de Hardy-Weinberg (Χ2 = 6,140; p = 0,0132). Não houve correlação significativa entre o polimorfismo rs2254298 e os escores dos domínios ou o escore total da MPAS. Não foram identificadas associações estatisticamente significativas entre os diferentes modelos genéticos e o desejo de interromper a gestação e o histórico de transtorno depressivo durante a gestação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Na amostra estudada, o polimorfismo rs2254298 do gene OXTR não apresentou associação com o apego materno-infantil avaliado pela escala MPAS, com desejo de interromper a gestação e o histórico de transtorno depressivo durante a gestação. Os achados devem ser analisados com cautela pois a amostra não se encontrava em equilíbrio de Hardy-Weinberg. Entretanto, esses achados podem reforçar a natureza multifatorial do vínculo mãe-filho e sugerem que variantes genéticas isoladas apresentam efeito limitado sobre esse desfecho, destacando a necessidade de estudos com amostras maiores para melhor compreensão dos mecanismos envolvidos.
PALAVRAS-CHAVE: Ocitocina; OXTR; Polimorfismo genético; Apego materno-infantil.
Votação encerrada.