RELAÇÃO ENTRE TEMPO DE REAÇÃO, TEMPO DE MOVIMENTO E TEMPO DE RESPOSTA COM INDICADORES DE COMPOSIÇÃO CORPORAL EM CRIANÇAS DE 6 A 12 ANOS DE IDADE
INTRODUÇÃO: O Tempo de Reação (TR), o Tempo de Movimento (TM) e o Tempo de Resposta (TRE) representam componentes distintos da resposta neuromotora e possibilitam compreender diferentes etapas envolvidas no processamento de estímulos e na execução do movimento. Durante a infância e a adolescência, o crescimento, a maturação neuromotora e as alterações da composição corporal podem influenciar o desempenho desses componentes, tornando relevante investigar a possível relação entre características antropométricas e a resposta neuromuscular. OBJETIVOS: Analisar a relação entre o Tempo de Reação, o Tempo de Movimento e o Tempo de Resposta e indicadores de composição corporal em crianças e adolescentes de 6 a 19 anos de idade. MATERIAIS E MÉTODO: rata-se de um estudo observacional, descritivo e analítico, de delineamento transversal, realizado com 29 participantes, sendo duas crianças, com 7 e 12 anos, e 27 adolescentes. Os tempos neuromusculares foram avaliados por meio de protocolo previamente estruturado e validado utilizando eletromiografia de superfície com o sistema New Miotool Wireless (Miotec®). O protocolo envolveu a apresentação de um estímulo visual e a execução de uma resposta motora por meio do acionamento de um botão, permitindo determinar TR, TM e TRE em milissegundos. Foram realizadas cinco tentativas consecutivas por participante, sendo utilizada, para as análises, a média individual das tentativas válidas. Como indicadores antropométricos, foram avaliados massa corporal, estatura e índice de massa corporal (IMC). A amostra foi caracterizada por estatística descritiva e as associações entre os indicadores antropométricos e os tempos neuromusculares foram investigadas pelo coeficiente de correlação de Spearman (ρ), adotando-se nível de significância de 5% (p<0,05). RESULTADOS: s crianças apresentaram valores médios de 143,0±50,7 ms para TR, 345,0±10,2 ms para TM e 488,0±60,8 ms para TRE. Entre os adolescentes, foram observadas médias de 131,7±32,7 ms, 347,3±44,9 ms e 479,0±58,2 ms para TR, TM e TRE, respectivamente. Devido ao reduzido número de crianças, não foi realizada análise inferencial para comparação entre os grupos etários. Não foram identificadas associações estatisticamente significativas entre IMC, massa corporal ou estatura e os tempos neuromusculares avaliados. A associação de maior magnitude ocorreu entre massa corporal e TR (ρ=-0,32; p=0,09), porém sem atingir significância estatística. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os indicadores antropométricos avaliados não demonstraram relação consistente com o TR, TM e TRE, sugerindo que massa corporal, estatura e IMC, quando considerados isoladamente, podem não ser suficientes para explicar as diferenças no desempenho neuromuscular durante a infância e a adolescência. A interpretação dos achados deve considerar as particularidades do crescimento e da maturação, o tamanho e a distribuição da amostra entre as faixas etárias, as limitações do IMC como estimativa indireta da composição corporal e o delineamento transversal. Estudos futuros com amostras maiores e mais equilibradas, controle da maturação biológica, nível de atividade física e experiências motoras, além da utilização de métodos mais específicos de avaliação da composição corporal, poderão contribuir para uma compreensão mais abrangente da relação entre características corporais e desempenho neuromuscular ao longo do desenvolvimento.
PALAVRAS-CHAVE: Tempo de Reação; Tempo de Resposta;Composição Corporal; Crianças; Adolescentes.
Votação encerrada.