JUVENTUDES E PREVENÇÃO: EDUCAÇÃO POPULAR CONTRA VIOLÊNCIAS SIMBÓLICAS
INTRODUÇÃO: A violência simbólica opera pela naturalização de hierarquias e desigualdades, fazendo com que relações de dominação sejam percebidas como legítimas e incontestáveis. No contexto escolar, essa forma de violência reproduz exclusões que incidem de forma específica sobre jovens, especialmente quando atravessada pelas relações de gênero. A violência simbólica de gênero na escola se expressa na linguagem, nos currículos, nas interações cotidianas e nas expectativas diferenciadas dirigidas a meninos e meninas, constituindo um fenômeno ainda pouco nomeado e enfrentado pelas políticas educacionais e pelos documentos orientadores da atuação profissional. A presente pesquisa insere-se nessa problemática ao investigar repertórios profissionais e educacionais voltados à atuação com juventudes, com ênfase na prevenção de violências simbólicas e na construção de práticas educativas transformadoras. OBJETIVOS: O objetivo geral foi identificar repertórios profissionais e educacionais voltados à atuação com jovens em contextos de vulnerabilidade social, com ênfase na prevenção de formas emergentes de violência simbólica, como a de gênero. Como objetivos específicos, buscou-se analisar documentos técnicos que tratassem dessa atuação com jovens, identificar princípios e estratégias pedagógicas capazes de fortalecer a prevenção de violências, e sistematizar formulações que favorecessem o estabelecimento de repertórios para a formação dos profissionais que atuam nesse contexto. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter documental e exploratório, que se valeu da análise temática de conteúdo para examinar documentos voltados à atuação com juventudes em contextos educativos e à prevenção de violências. A análise foi orientada por três dimensões formativas (“saber”, “saber-ser” e “saber-fazer”) que serviram como categorias analíticas para organizar os repertórios identificados. RESULTADOS: Os resultados indicam que os documentos se fundamentam na perspectiva ético-política dos direitos humanos e posicionam a violência como fenômeno social e histórico, o que afasta abordagens individualizantes e patologizantes. O acolhimento da diversidade e a construção coletiva de projetos educativos a partir do diálogo constante emergem como princípios centrais para a atuação profissional. Apontam, ainda, que, embora os documentos forneçam bases consistentes para pensar a prevenção de violências em uma perspectiva crítica e emancipatória, a violência simbólica de gênero não é nomeada nem tratada como fenômeno específico, o que constitui uma lacuna significativa diante da centralidade que essa temática assume no cotidiano escolar. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A pesquisa conseguiu sistematizar apontamentos para a atuação profissional com juventudes na prevenção de violências, encontrando aproximações consistentes com a educação popular freiriana. Contudo, a escassez de documentos orientativos especificamente voltados à prevenção da violência simbólica de gênero indica a necessidade de pesquisas futuras que estudem de forma aprofundada o desenvolvimento desse fenômeno no curso escolar e apontem repertórios específicos para a atuação profissional. Apesar dessa limitação, a pesquisa fornece subsídios iniciais que podem orientar a formação de profissionais que atuam com juventudes em contextos educativos.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Popular; Juventude; Violência Simbólica; Orientações formativas; Prevenção.
Votação encerrada.