MEMÓRIA E SEGURANÇA PÚBLICA: A FORMAÇÃO DO IMAGINÁRIO SOCIAL SOBRE A CRIMINALIDADE A PARTIR DO CINEMA BRASILEIRO
INTRODUÇÃO: O cinema brasileiro constitui um importante espaço de construção de memória e de produção de sentidos sobre a sociedade, refletindo disputas históricas relacionadas à identidade nacional, à violência, à questão racial e à atuação do Estado. Partindo da compreensão de que as produções audiovisuais influenciam a formação do imaginário social, esta pesquisa investiga como o cinema brasileiro representa a criminalidade, a segurança pública e a seletividade penal, analisando de que maneira essas narrativas reforçam ou contestam estereótipos racializados e discursos sobre justiça, cidadania e direitos humanos. OBJETIVOS: Objetivos: Analisar como produções audiovisuais brasileiras representam as relações entre violência institucional, abordagens policiais, desigualdade racial e memória social, investigando de que modo essas narrativas contribuem para a construção ou contestação de sentidos sobre justiça, cidadania, direitos humanos e segurança pública, bem como compreender o papel do cinema na formação do imaginário social sobre a criminalidade. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa adotou abordagem qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo de Laurence Bardin, articulada às contribuições de Marc Ferro e Ismail Xavier para a análise fílmica. Foram realizadas revisão bibliográfica, levantamento e curadoria de obras audiovisuais, seguidos da análise de quatro filmes brasileiros selecionados segundo critérios temáticos relacionados à questão racial, à segurança pública e aos direitos humanos. RESULTADOS: Os resultados demonstram que o cinema brasileiro atua como espaço de disputa simbólica na construção do imaginário social sobre criminalidade e segurança pública. As obras classificadas como questionadoras evidenciam a seletividade penal, o racismo estrutural e a violência institucional, enquanto as classificadas como reforçadoras reproduzem apagamentos históricos e representações que legitimam relações desiguais de poder. A análise confirma que as escolhas narrativas e estéticas do cinema influenciam percepções sociais sobre justiça, cidadania e direitos humanos, reforçando ou contestando estereótipos relacionados à população negra e aos territórios marginalizados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que o cinema brasileiro não apenas representa a realidade social, mas participa ativamente da construção de percepções sobre criminalidade, segurança pública e relações raciais. Ao revelar tanto mecanismos de denúncia quanto de reprodução de desigualdades, as produções audiovisuais analisadas demonstram o potencial do cinema como instrumento de reflexão crítica e de fortalecimento do debate sobre memória, direitos humanos, criminologia crítica e combate às desigualdades estruturais.
PALAVRAS-CHAVE: Cinema brasileiro; Segurança pública; Racismo estrutural; Criminologia crítica; Imaginário social.
Votação encerrada.