ANÁLISE DA ASSOCIAÇÃO ENTRE O DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO PÓS-PARTO E O COMPORTAMENTO ADAPTATIVO DE CRIANÇAS COM ATÉ 1 ANO DE IDADE
INTRODUÇÃO: O desenvolvimento infantil é um processo multifacetado resultante da interação entre fatores biológicos e ambientais, sendo influenciado, entre outros aspectos, pela saúde mental materna. Nesse sentido, a depressão pós-parto (DPP) tem sido reconhecida como um importante fator de risco para prejuízos nessa fase. Entre os fatores associados ao desenvolvimento desse transtorno, destaca-se a exposição a eventos estressantes durante o período pré-natal. Durante a pandemia de COVID-19, observou-se um aumento da incidência de DPP, possivelmente relacionado ao estresse, à ansiedade, ao isolamento social e às incertezas decorrentes desse momento. OBJETIVOS: Esse estudo teve como objetivo investigar as possíveis associações entre a DPP no comportamento adaptativo (CA) de lactentes de até 1 ano de idade de mães que foram ou não infectadas por SARS-CoV-2 durante a gestação. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo observacional com 74 puérperas, sendo 27 mães com histórico de infecção por SARS-CoV-2 durante a gestação e 47 sem histórico de infecção. Foram incluídas mulheres com idade superior a 18 anos que tenham apresentado ou não infecção por SARS-CoV-2 durante a gravidez. Os critérios de exclusão foram: puérperas que perderem o seguimento do estudo e que apresentaram comprometimento cognitivo capaz de dificultar a aplicação das escalas. Os dados clínicos e sociodemográficos foram obtidos por questionários, a DPP foi rastreada pela Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS), e o CA infantil foi avaliado pela Escala de Comportamento Adaptativo Vineland-3 (Vineland-3). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da PUCPR (CEP/CONEP) e todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aprovado pela instituição. RESULTADOS: Na comparação entre os grupos COVID-19 e controle, observou-se maior frequência de DPP entre as mães sem histórico de infecção por SARS-CoV-2 (p=0,011). Entre as mães não diagnosticadas com COVID-19, a DPP esteve associada a menores escores nos domínios Comunicação (p=0,036), Atividades de Vida Diária (p=0,027) e Comportamento Adaptativo Composto (p=0,009). Entre as mães com histórico de COVID-19, não foi possível comparar os grupos com e sem DPP devido ao reduzido tamanho amostral, que impossibilitou o cálculo do desvio-padrão e dos valores de p. Foi observado também a elevada presença de antecedentes de transtornos psiquiátricos prévios e em familiares de primeiro grau entre as mães com DPP. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Nesta amostra, a DPP mostrou associação com o CA infantil principalmente entre as mães sem histórico de infecção por SARS-CoV-2 durante a gestação, reforçando a importância do rastreamento precoce e do acompanhamento da saúde mental materna durante o período perinatal. Apesar de algumas limitações, como o reduzido tamanho amostral, esse estudo contribui para ampliar a compreensão acerca dos impactos da DPP no CA dos lactentes, especialmente no contexto de vulnerabilidade decorrente da pandemia de COVID-19. Além disso, os resultados evidenciam a necessidade de estudos com amostras maiores e acompanhamento longitudinal para melhor compreender os efeitos independentes e combinados da DPP e da exposição intrauterina ao SARS-CoV-2 sobre o desenvolvimento infantil.
PALAVRAS-CHAVE: Depressão Pós-Parto; Comportamento Adaptativo; COVID-19; Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS); Escala de Comportamento Adaptativo Vineland-3.
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