A CRÍTICA DE HUSSERL À CONCEPÇÃO CARTESIANA DE DEUS
INTRODUÇÃO: o debate acerca dos fundamentos do conhecimento absoluto e da constituição de uma ciência livre de dogmatismos representa um dos eixos centrais da filosofia moderna e contemporânea. A partir do descompasso entre a busca cartesiana por uma certeza apodítica e a radicalidade pretendida pela fenomenologia, investiga-se a crítica que Edmund Husserl direciona à concepção teológica de René Descartes, analisando como esse confronto reconfigura as exigências de uma ciência rigorosa. OBJETIVOS: analisar a crítica que Husserl estabelece à concepção cartesiana de Deus e como isso implica na fundamentação de uma ciência rigorosa. Como etapa constituinte, foi necessário: i. Identificar como Descartes compreende o papel de Deus em sua filosofia; ii. Investigar o modo como Husserl recepciona Descartes, em especial, o conceito de Deus, e quais as consequências das críticas levantadas; iii. Compreender o projeto husserliano de construção de uma ciência rigorosa universal. MATERIAIS E MÉTODO: para desvelar essa tensão arquitetônica, realizou-se uma pesquisa estritamente bibliográfica de abordagem qualitativa, concentrada no exame analítico dos livros Meditações sobre Filosofia Primeira e das Meditações Cartesianas, além do mapeamento conceitual fornecido pela literatura fenomenológica secundária. RESULTADOS: os resultados da investigação evidenciam que, enquanto Descartes opera um movimento de exteriorização do fundamento da verdade ao recorrer à Veracitas Dei como garantidora da objetividade contra o solipsismo, Husserl suspende esse pressuposto metafísico por meio da epoché. Constatou-se que a fenomenologia transcendental husserliana supera o abismo entre sujeito e mundo sem saltar para fora do cogito, demonstrando que a intencionalidade é o elemento constitutivo da própria consciência. CONSIDERAÇÕES FINAIS: conclui-se que o rigor e a auto fundamentação da ciência rigorosa pretendida por Husserl justificam-se inteiramente no campo transcendental, revelando que a transcendência do objeto não é um mistério teológico externo, mas um traço imanente da subjetividade.
PALAVRAS-CHAVE: Edmund Husserl; René Descartes; Ciência rigorosa; Fenomenologia; Teologia.
Votação encerrada.