ANÁLISE EXPLORATÓRIA SOBRE ADESÃO MEDICAMENTOSA EM IDOSOS COM INSUFICICÊNCIA CARDÍACA NO SISTÊMA ÚNICO DE SAÚDE
INTRODUÇÃO: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica decorrente de uma falha do coração como bomba, cuja prevalência aumenta de forma proporcional ao avançar da idade e que representa uma das principais causas de internação em idosos, sendo a má adesão medicamentosa apontada como um dos seus principais determinantes. OBJETIVOS: Analisar os fatores que influenciam a adesão medicamentosa em idosos com insuficiência cardíaca atendidos em ambulatórios do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, e do Ambulatório da Escola de Medicina de Curitiba e Londrina, caracterizando o perfil epidemiológico dessa população e investigando os determinantes sociodemográficos, comportamentais, cognitivos e de saúde associados à adesão ao tratamento medicamentoso. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal, descritivo e analítico, que incluiu 170 pacientes com 60 anos ou mais e diagnóstico de insuficiência cardíaca, acompanhados ambulatorialmente pelo SUS. Foram coletados dados sociodemográficos, de comorbidades, hábitos de vida, avaliação cognitiva (MoCA), físico-funcional, sensação de solidão (UCLA-BR) e perfil farmacoterapêutico. A adesão medicamentosa foi avaliada pela Medida de Adesão ao Tratamento (MAT) e as crenças sobre os medicamentos pelo Beliefs about Medicines Questionnaire (BMQ). Os grupos aderente e não aderente foram comparados pelos testes qui-quadrado, exato de Fisher, t de Student ou Mann-Whitney, conforme apropriado, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: A amostra apresentou idade média de 72,3 ± 7,6 anos, com uma média de 6 comorbidades por paciente, declínio cognitivo (48,8%) e dinapenia (49,1%). O escore médio do MAT foi de 5,25 pontos, e 126 pacientes (74,1%) foram classificados como aderentes ao tratamento medicamentoso. O etilismo ativo (59,1% vs. 29,4%; p<0,001) e a presença de crenças negativas em relação aos medicamentos (54,5% vs. 23%; p<0,001) foram os únicos fatores estatisticamente associados à não adesão. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A adesão medicamentosa entre os idosos com IC acompanhados pelo SUS foi relativamente alta, sendo o etilismo ativo e as crenças negativas sobre os medicamentos os principais determinantes de não adesão identificados, o que reforça a importância dos profissionais da saúde abordarem técnicas de abordagem centrada na pessoa para melhor investigação de fatores comportamentais.
PALAVRAS-CHAVE: Insuficiência Cardíaca; Idoso; Adesão à Medicação; Atenção Primária à Saúde; Polifarmácia.
Votação encerrada.