Logo PUCPR

ADMINISTRAÇÃO DE UM PRODUTO DE TERAPIA AVANÇADA PARA TRATAMENTO DA DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO: AVALIAÇÃO
CLÍNICA E LABORATORIAL

SANTANA, Catarina Volkmer Medeiros¹; FUNKE, Vaneuza Araújo Moreira²; REBELATTO, Carmen Lucia Kuniyoshi³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) é uma complicação decorrente do transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), na qual ocorre o reconhecimento do tecido do hospedeiro pelas células imunocompetentes do doador. O tratamento de primeira linha da DECH crônica (DECHc) consiste em terapia sistêmica com corticosteroides. No entanto, mais da metade dos pacientes com essa doença desenvolve resistência aos corticosteroides. Dessa forma, o uso de terapias alternativas constitui uma estratégia para o controle dessa doença. O produto de terapia avançada contém células-tronco mesenquimais (CTM), com potencial para promover o reparo tecidual e a regeneração de tecidos danificados. OBJETIVOS: Realizar o acompanhamento clínico e laboratorial dos pacientes com doença do enxerto contra o hospedeiro tratados com o produto de terapia avançada. Como objetivos secundários, identificar os eventos adversos associados ao uso do produto de terapia avançada e estabelecer possíveis correlações entre parâmetros laboratoriais (hemograma e perfil bioquímico, incluindo enzimas hepáticas e bilirrubinas) e os desfechos clínicos dos pacientes tratados. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma análise retrospectiva dos participantes de um ensaio clínico de fase I, no qual foram incluídos oito pacientes, com idade média de 12,2 anos, diagnosticados com DECHc refratária a corticosteroides e inibidores de calcineurina. O Produto de Terapia Avançada (PTA), composto por CTM-MO, foi administrado por via intravenosa na dose de 2×10⁶ células/kg, com intervalo semanal entre as infusões. O acompanhamento clínico e laboratorial foi realizado por um período mínimo de 12 meses, incluindo o levantamento de eventos adversos, infecções e óbitos, por meio da análise de prontuários e do preenchimento de planilhas para a sistematização dos dados. RESULTADOS: A maioria dos pacientes era do sexo masculino (62,5%) e apresentava DECHc em grau grave (75,0%). Foram identificadas 25 infecções e 16 eventos adversos graves, além de dois óbitos ocorridos aos 62 e 515 dias após a primeira infusão, ambos relacionados à progressão da doença ou complicações infecciosas. Reações infusionais, como náuseas e sensação de calor, foram relatadas por dois pacientes. A avaliação bioquímica evidenciou dois eventos de piora hepática com possível relação temporal com a infusão do PTA. De modo geral, grande parte dos eventos adversos registrados apresentou maior plausibilidade de nexo causal com a progressão da própria DECHc e com a imunossupressão do paciente do que com a terapia celular administrada. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados deste estudo piloto fornecem indícios preliminares de segurança e tolerabilidade da administração do PTA. Por se tratar de uma análise retrospectiva com amostragem reduzida e sem grupo comparador, os achados não comprovam eficácia nem excluem causalidade de forma definitiva, mas indicam a viabilidade da intervenção e reforçam a necessidade de monitoramento laboratorial e hepático rigoroso.

PALAVRAS-CHAVE: Células-tronco mensenquimais; Doença do enxerto contra o hospedeiro; Produto de terapia avançada.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.