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COMPARAÇÃO E ANÁLISE DO IMPACTO FINANCEIRO DAS CORREÇÕES DE ANURISMA DE AORTA ABDOMINAL PELO MÉTODO TRADICIONAL E ENDOVASCULAR EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA

SAMPAIO, Carlos Augusto Ferraresi¹; SOUZA, Ruan Matheus Gallo de²; SILVA, Ricardo Bernardo da³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Câmpus Londrina
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Londrina – Câmpus Londrina

INTRODUÇÃO: O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação localizada e permanente da aorta infrarrenal cuja ruptura carrega letalidade superior a 80%. Sua correção pode ser realizada por cirurgia aberta ou por reparo endovascular. O reparo endovascular reduz a morbimortalidade perioperatória, mas depende de dispositivos de alto custo e de vigilância prolongada por imagem, o que levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade econômica em um sistema público de saúde. OBJETIVOS: Comparar os custos das duas técnicas de correção do aneurisma de aorta abdominal na perspectiva do Sistema Único de Saúde e relacioná-los aos desfechos clínicos observados. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, analítico e retrospectivo, baseado em prontuários de pacientes operados na Santa Casa de Londrina pela mesma equipe cirúrgica. Foram avaliados 138 pacientes, 115 submetidos à cirurgia aberta e 23 ao reparo endovascular. Os custos foram estimados por microcusteio, na perspectiva do pagador público e restritos à internação-índice, somando-se, para cada paciente, o valor do procedimento na Tabela SIGTAP, o material especial implantado, as diárias de terapia intensiva e de enfermaria excedentes, os hemocomponentes e as reintervenções. As comparações empregaram os testes de Mann-Whitney ou t de Student, conforme a normalidade, e o teste exato de Fisher para variáveis categóricas. Preditores de óbito hospitalar foram avaliados por regressão logística, e a incerteza sobre o preço da endoprótese foi tratada por análise de sensibilidade. RESULTADOS: O custo mediano por paciente foi de R$ 6.453 na cirurgia aberta e de R$ 23.998 no reparo endovascular, com custo médio 3,3 vezes maior neste último (R$ 7.410 contra R$ 24.581; p < 0,001). A endoprótese respondeu por 81% do custo do reparo endovascular, ao passo que as diárias de terapia intensiva concentraram 36% do custo da cirurgia aberta. O grupo endovascular teve internação e permanência em terapia intensiva mais curtas (p < 0,001 para ambas). A mortalidade hospitalar bruta foi de 33% na cirurgia aberta e de 13% no reparo endovascular (p = 0,077), porém a via de acesso não se manteve como preditor de óbito após ajuste (OR 0,54; IC 95% 0,13–2,20); apenas a ruptura (OR 7,12; p = 0,001) e o tempo de terapia intensiva permaneceram associados ao desfecho. A diferença de custo persistiu mesmo entre os pacientes sem ruptura e resistiu à variação do preço da endoprótese entre R$ 12.000 e R$ 40.000. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Na internação-índice e sob a ótica do SUS, a cirurgia aberta custou substancialmente menos do que o reparo endovascular, e essa diferença deveu-se quase inteiramente ao preço do dispositivo. A menor mortalidade aparente do reparo endovascular refletiu a concentração dos casos rotos no grupo aberto, e não uma vantagem da técnica. Os achados favorecem a preservação da cirurgia aberta como opção economicamente eficiente em centros de referência, sem que se possa afirmar superioridade clínica de qualquer das abordagens.

PALAVRAS-CHAVE: Aneurisma da aorta abdominal; Procedimentos endovasculares; Custos e análise de custo; Sistema Único de Saúde; Procedimentos cirúrgicos vasculares.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

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