AMPUTAÇÕES DE MEMBROS INFERIORES NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: UMA DÉCADA DE ANÁLISE NA REGIÃO SUL DO BRASIL
INTRODUÇÃO: As amputações de membros inferiores representam um importante problema de saúde pública devido ao elevado impacto funcional, social e econômico, sendo predominantemente decorrentes de complicações do diabetes mellitus e da doença arterial obstrutiva periférica. Apesar de sua relevância, ainda são escassos estudos que caracterizem o perfil epidemiológico dessas amputações na Região Sul do Brasil. OBJETIVOS: Analisar o perfil epidemiológico das amputações de membros inferiores na Região Sul do Brasil entre 2014 e 2024, estimando as taxas de amputação por 100 mil habitantes, caracterizando sua distribuição segundo sexo, faixa etária e raça/cor e comparando os resultados obtidos com a literatura nacional e internacional. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, de abordagem quantitativa, desenvolvido em duas etapas: revisão sistemática da literatura, conduzida conforme as recomendações do PRISMA 2020, e estudo epidemiológico ecológico utilizando dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), obtidos no DATASUS. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados no software Jamovi (versão 2.6.44), utilizando regressão linear simples para avaliação da tendência temporal das taxas de amputação e testes do qui-quadrado para investigar associações entre sexo, faixa etária, raça/cor e as principais etiologias relacionadas às amputações, adotando-se nível de significância de 5% RESULTADOS: A revisão sistemática incluiu seis estudos, que demonstraram predominância de pacientes do sexo masculino, idosos e acometidos principalmente por diabetes mellitus e doença arterial obstrutiva periférica. Na análise epidemiológica, observou-se aumento progressivo das taxas de amputação nos três estados da Região Sul durante o período analisado, com predominância das amputações menores em relação às maiores. Santa Catarina apresentou a maior taxa média de amputações por 100 mil habitantes, enquanto o Rio Grande do Sul concentrou o maior número absoluto de procedimentos. A regressão linear evidenciou tendência temporal crescente e estatisticamente significativa nos três estados, e as análises de associação demonstraram diferenças significativas na distribuição das principais etiologias segundo sexo, faixa etária e raça/cor. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados evidenciam aumento do número das amputações de membros inferiores na Região Sul e reforçam a necessidade de fortalecer ações de prevenção das doenças crônicas, qualificar os sistemas de informação em saúde e ampliar estratégias de diagnóstico precoce e acompanhamento dos grupos mais vulneráveis. Além disso, os resultados fornecem subsídios para o planejamento de políticas públicas e para o desenvolvimento de futuras pesquisas sobre o tema.
PALAVRAS-CHAVE: 1. Amputação de membros inferiores; 2. Epidemiologia; 3. Sistema Único de Saúde; 4. DATASUS; 5 Região Sul.
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