O CONCEITO DE PROBABILIDADE NO COMPORTAMENTALISMO RADICAL
INTRODUÇÃO: A ciência analítico-comportamental recorre frequentemente ao conceito de probabilidade como elemento teórico essencial para a compreensão das relações que envolvem o comportamento. Na literatura, o conceito é interpretado de diferentes maneiras, enquanto algumas análises o compreendem como um recurso instrumental diante da insuficiência de informações sobre as condições responsáveis pela ocorrência do comportamento, outras indicam que, em determinados momentos da obra de Skinner, a probabilidade pode integrar a própria explicação do comportamento. Essas diferentes interpretações acompanham as mudanças presentes ao longo da obra do autor e evidenciam a existência de diferentes formas de compreender o conceito. OBJETIVOS: O objetivo geral foi delinear uma síntese interpretativa da noção de probabilidade nas obras de B. F. Skinner; os objetivos específicos foram: rastrear as menções ao conceito de probabilidade, identificar as principais teses filosóficas relacionadas e apresentar uma análise filosófica da noção de probabilidade no comportamentalismo radical. MATERIAIS E MÉTODO: Nessa pesquisa, de natureza teórico-conceitual, realizou-se uma análise dos conceitos a partir de noções oriundas da filosofia para esclarecer possíveis articulações entre determinados comprometimentos epistemológicos, éticos e políticos. O trabalho foi desenvolvido em três etapas: mapeamento e categorização das menções de Skinner ao conceito de probabilidade, seleção dos textos-chave e interpretação e análise filosófica das mudanças nos usos da noção de probabilidade no comportamentalismo skinneriano. RESULTADOS: Skinner se utiliza principalmente das interpretações propensionistas e frequencistas do termo probabilidade. Observa-se, no entanto, uma recorrência mais significativa da probabilidade como propensão, no sentido mais próximo a tendência ou disposição de ação, assumindo o caráter contingente do comportamento. Nesse sentido, a noção de propensão indica que a probabilidade não constitui apenas um recurso decorrente da ignorância humana acerca das variáveis envolvidas no comportamento, ao contrário, trata-se de uma propriedade do próprio comportamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Na obra skinneriana, o conceito de probabilidade assume um caráter ontológico, e não apenas epistemológico. Nessa perspectiva, a probabilidade deixa de ser compreendida como um mero instrumento de análise e passa a integrar a própria natureza do fenômeno comportamental, esboçando afinidades com uma interpretação indeterminista do comportamentalismo radical.
PALAVRAS-CHAVE: Probabilidade; Comportamentalismo Radical; Análise do Comportamento; Skinner; Indeterminismo.
Votação encerrada.