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MDW COMO BIOMARCADOR PRECOCE DE SEPSE: UM ESTUDO EM UM HOSPITAL DE ALTA COMPLEXIDADE DA REDE PÚBLICA DE
CURITIBA-PR

MACEDO, Suelem Morais Figueiredo de¹; CUNHA, Jéssica Cristie Rocha²; SANTOS, Marilene da Costa³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Farmácia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A sepse é uma síndrome associada a elevada morbimortalidade, cujo reconhecimento oportuno depende da integração entre achados clínicos, laboratoriais e sinais de disfunção orgânica. O monocyte distribution width (MDW) é um parâmetro obtido automaticamente no hemograma que expressa a variabilidade do volume dos monócitos e tem sido investigado como marcador complementar na avaliação de pacientes com suspeita de sepse. Entretanto, permanece menos esclarecido como esse marcador se comporta nos dias que antecedem a abertura formal do protocolo assistencial e se suas medidas longitudinais se relacionam com a mortalidade hospitalar. OBJETIVOS: Avaliar o comportamento do MDW antes da abertura do protocolo de sepse e investigar a associação entre medidas resumidas do marcador, sua trajetória temporal e a mortalidade hospitalar. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, retrospectivo, longitudinal e analítico, baseado em dados secundários de pacientes com protocolo de sepse aberto em um hospital público de alta complexidade de Curitiba. A unidade principal de análise foi o protocolo de sepse. Foram incluídos 279 protocolos, correspondentes a 249 pacientes. Avaliaram-se as medidas de MDW disponíveis antes da abertura, a frequência de valores acima de 20, o intervalo entre a primeira elevação observada e a abertura, medidas resumidas do marcador e sua variação temporal. A associação com mortalidade foi investigada por regressão logística ajustada por idade e número de coletas, além de modelo longitudinal de efeitos mistos. Também foi realizada análise de sensibilidade restrita ao primeiro protocolo de cada paciente. RESULTADOS: Dos 279 protocolos, 257 (92%) apresentaram pelo menos uma medida de MDW acima de 20 antes da abertura. A primeira elevação observada ocorreu, em média, 4,86 ± 2,09 dias antes desse marco,com mediana de 5,32 dias. As proporções de coletas acima de 20 permaneceram elevadas nas diferentes janelas temporais, variando de 77,2% a 83,5%, sem padrão monotônico de aumento. Entre os 234 protocolos com desfecho hospitalar definitivo, ocorreram 118 altas e 116 óbitos. Após ajuste, o MDW mediano associou-se à mortalidade hospitalar (OR=1,09; IC95%: 1,01–1,17), assim como o MDW da coleta mais próxima da abertura (OR=1,08; IC95%: 1,00–1,16) e a proporção de coletas acima de 20, considerada a cada aumento de 10 pontos percentuais (OR=1,11; IC95%: 1,02–1,22). No modelo longitudinal, os pacientes que evoluíram para óbito apresentaram valores estimados de MDW mais elevados no momento da abertura, mas não houve evidência de diferença na inclinação das trajetórias entre os desfechos. Na análise de sensibilidade, a direção das associações foi mantida, porém com redução da magnitude e da precisão das estimativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O MDW apresentou elevação frequente e persistente antes da abertura do protocolo de sepse. Medidas que expressaram o nível global do marcador associaram-se à mortalidade nos modelos principais, enquanto sua velocidade de variação não demonstrou associação significativa. Os achados são exploratórios e não comprovam antecipação diagnóstica nem sustentam o uso isolado do MDW, mas indicam possível utilidade complementar, a ser confirmada em estudos prospectivos, multicêntricos e com controle mais amplo da gravidade clínica.

PALAVRAS-CHAVE: Sepse; Monócitos; Biomarcadores; Mortalidade Hospitalar; Estudos Longitudinais.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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