NOVOS PARÂMETROS DIAGNÓSTICOS DE OBESIDADE: CONHECIMENTO E ADESÃO POR MÉDICOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE CURITIBA
INTRODUÇÃO: A obesidade é um importante problema de saúde pública mundial e seudiagnóstico é historicamente baseado no Índice de Massa Corporal (IMC), um métodoque, apesar de altamente disponível, apresenta limitações por não refletir diretamenteo excesso de adiposidade ou suas repercussões clínicas. Em 2025, a Comissão daThe Lancet Diabetes & Endocrinology propôs novos parâmetros diagnósticos,recomendando uma abordagem mais abrangente e integral, baseada na confirmaçãodo excesso de gordura e na presença de comprometimento funcional ou de órgãosalvo. OBJETIVOS: O presente estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento e aadesão dos médicos atuantes na Atenção Primária à Saúde do município de Curitibaaos novos parâmetros diagnósticos da obesidade, além de identificar os critériosutilizados para o diagnóstico e as condutas adotadas na prática clínica. MATERIAIS E MÉTODO: Métodos: Esse foi um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa,realizado com médicos de Unidades Básicas de Saúde por meio de questionárioeletrônico estruturado contendo questões fechadas e abertas. Os dados foramsubmetidos à análise descritiva por frequências absolutas e relativas, sendorealizadas análises de associação entre variáveis categóricas por meio do teste exatode Fisher, adotando-se nível de significância de 5%. Foram analisadas 50 respostasválidas. R RESULTADOS: esultados: Ainda que 56,0% dos participantes relatassem ter conhecimentosobre a exitência de novos parâmetros diagnósticos, apenas 6,0% afirmaram ter lidoo artigo original e 16,0% relataram utilizá-los na prática clínica. O IMC, como esperado,permaneceu como o principal critério diagnóstico, utilizado por todos os participantes,seguido pela circunferência abdominal (74,0%) e pela avaliação de comorbidadesassociadas (54,0%). Entre os sinais clínicos investigados destacaram-se alteraçõesglicometabólicas (84,7%), alterações da pressão arterial (52,1%) e alteraçõesosteoarticulares (32,6%). Em relação a condutas terapêuticas adotadas, a mudançado estilo de vida foi a principal (98,0%), enquanto os agonistas do receptor de GLP-1,especialmente a semaglutida, foram os medicamentos mais frequentementemencionados. Observou-se, ainda, associação significativa entre conhecimento dosnovos parâmetros, familiaridade com a nova classificação e sua utilização prática. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a incorporação dos novos critériosdiagnósticos da obesidade ainda ocorre de forma gradual na Atenção Primária àSaúde, embora diversos componentes clínicos valorizados pelo novo consenso jáestejam presentes na prática assistencial. Os achados reforçam a importância daeducação permanente e da disseminação das evidências científicas para favorecer aimplementação das recomendações mais recentes.
PALAVRAS-CHAVE: Obesidade; Atenção Primária à Saúde; Diagnóstico; Implementação do conhecimento; Médicos.
Votação encerrada.