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OS SUJEITOS HISTÓRICOS NA “HISTÓRIA GERAL DO BRASIL” DE VARNHAGEN (1854-1857)

MATTHIESEN, Laura Romeiro¹; CORCAO, Mariana³
Curso do(a) Estudante: História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O presente trabalho analisa a História Geral do Brasil (1854–1857), de Francisco Adolfo de Varnhagen, como operação historiográfica inseparável do projeto imperial que a engendrou. Parte-se do pressuposto de que a obra não se reduz a narrativa do passado colonial, mas opera como artefato político do Estado imperial brasileiro, gestado no interior do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro entre 1838 e 1857 e consumido pelo presente imperial que contribuiu para legitimar. A pergunta que orienta a investigação indaga em que medida a representação dos povos indígenas e da população negra na obra constitui elemento constitutivo do projeto político que lhe deu origem. OBJETIVOS: A pesquisa tem por objetivo geral demonstrar que a escrita de Varnhagen é inseparável do projeto nacional imperial, articulando três objetivos específicos: (i) reconstituir o quadro histórico de produção da obra no IHGB; (ii) caracterizar o perfil intelectual e político do autor como intelectual orgânico das elites imperiais; (iii) explicitar a função política da obra no processo de construção nacional, com foco na categorização dos indígenas e no silenciamento da população africana e afro-brasileira. MATERIAIS E MÉTODO: A investigação adota abordagem analítico-contextual, recusando tanto a leitura puramente interna do texto quanto a aplicação mecânica da operação historiográfica de Certeau. A obra é examinada em três movimentos complementares e articulados: o quadro histórico de produção; o perfil intelectual e político do autor; a função política da obra no projeto de construção nacional. RESULTADOS: O primeiro movimento demonstrou que a obra responde a convocação institucional do IHGB, voltado à fabricação de uma memória coletiva ordenada . O segundo movimento localizou em Varnhagen a exemplificação do intelectual orgânico das elites imperiais. O terceiro movimento articulou ambos à função política da escrita: indígenas categorizados em chave dual e funcional ao projeto colonizador; população africana sistematicamente invisibilizada; escravidão convertida em instituição regular e resistência criminalizada. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Confirmou-se que a representação dos indígenas e da população negra na História Geral do Brasil constitui parte constitutiva do projeto político da obra. A obra tornou-se objeto de tradição crítica articulada: da polêmica contemporânea no IHGB à ruptura de Capistrano de Abreu, da reorientação de Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda à inauguração, por Clóvis Moura, de uma tradição dedicada à agência dos escravizados. Reconhecer o vínculo entre escrita historiográfica e projeto político recoloca-a em seu devido lugar: o de campo de disputa pela memória e pela identidade nacional.

PALAVRAS-CHAVE: Varnhagen; Historiografia Brasileira; Representação étnico- racial; Projeto Imperial.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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