PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO DO CONDENSADO DO EXALADO RESPIRATÓRIO DE CAVALOS ASMÁTICOS
INTRODUÇÃO: A asma equina pode acometer mais de 20% da população de equinos. O diagnóstico da doença resulta dos sinais clínicos de tosse e dificuldade respiratória com o aumento da porcentagem de neutrófilos na citologia do lavado broncoalveolar (LBA). Entretanto, o LBA é um procedimento invasivo e exige a sedação do animal. Como alternativa, o condensado do exalado respiratório (CER) tem sido estudado como uma técnica diagnóstica não invasiva, permitindo a avaliação de biomarcadores inflamatórios, como o peróxido de hidrogênio (H₂O₂). O H₂O₂ é produzido principalmente por células inflamatórias, como os neutrófilos, e estudos demonstram que sua concentração apresenta correlação positiva com a porcentagem de neutrófilos no LBA de equinos, indicando inflamação das vias respiratórias. Apesar de promissor, o método ainda necessita de padronização, tanto da técnica quanto do equipamento utilizado para a coleta. OBJETIVOS: Objetivou-se investigar a concentração de H2O2 do CER de cavalos asmáticos, comparando-se com cavalos saudáveis, correlacionando com o LBA. MATERIAIS E MÉTODO: O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), sob o protocolo nº 02259. Foram utilizadas 11 éguas sem raça definida (SRD), pertencentes à Clínica Veterinária Escola da Fazenda Experimental Gralha Azul (CVE-FEGA), previamente submetidas à avaliação clínica detalhada. Para a coleta do CER, foi utilizado um coletor desenvolvido pelo grupo de pesquisa, posicionando-o por 15 minutos nas narinas do animal. A amostra obtida foi acondicionada em microtubo e congelada em nitrogênio líquido. A concentração de H₂O₂ foi determinada por espectrofotometria. Para a coleta do LBA, os animais foram sedados e o procedimento foi realizado com uma sonda flexível introduzida por via nasotraqueal. As amostras obtidas foram processadas e, com o sedimento realizou-se a análise citológica do LBA. A análise estatística incluiu os testes de normalidade de D’Agostino-Pearson, teste t de Student e correlação de Pearson, adotando-se nível de significância de p < 0,05. RESULTADOS: Apesar dos animais tolerarem bem a coleta do CER, algumas das amostras tiveram volume insuficiente para quantificar a concentração de H2O2. Apesar disso não foi encontra diferenças nos níveis de H₂O₂ quando comparados animais saudáveis e asmáticos (P = 0,165), já com os resultados de LBA foi possível distinguir citologia normal e citologia inflamatória dos animais, mostrando 5 animais com citologia normal e seis com alterações compatíveis com asma. Os cavalos saudáveis apresentaram maior proporção de macrófagos (60,7 ± 14,6%), já os compatíveis com asma apresentaram aumento em neutrófilos (19,0 ± 9,4% vs. 1,5 ± 0,87%, P = 0,003). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que, as concentrações de H₂O₂ no CER não permitiram diferenciar animais com padrão citológico inflamatório daqueles com padrão citológico saudável. Novos estudos seguem sendo preconizados para aperfeiçoamento da técnica diagnóstica.
PALAVRAS-CHAVE: Asma; Equinos; Lavado bronco alveolar; Respiratório; Vias aéreas.
Votação encerrada.