FEMINISMO DECOLONIAL: COMBATE AO SEXISMO E AO RACISMO NO SUL GLOBAL
INTRODUÇÃO: A presente pesquisa se propõe a conectar os conceitos de gênero, raça e classe sob a lente teórica do feminismo decolonial, e busca compreender a formação e permanência das estruturas de poder coloniais nas sociedades latino-americanas. O ponto central fundamentou-se na crítica à colonialidade do poder, do saber e do ser, compreendidas como matrizes de dominação que moldam a América Latina desde a colonização até o presente. O argumento central sustenta que a colonialidade sobrevive como um legado persistente ao colonialismo formal, penetrando nas estruturas institucionais, nas subjetividades e nos saberes contemporâneos. OBJETIVOS: o estudo teve como objetivo analisar o feminismo decolonial em sua dimensão teórica, e compreender a sua extensão para a prática, observada no fortalecimento dos movimentos sociais das mulheres não brancas do Sul Global. Buscou-se, especificamente, compreender as relações entre gênero, raça e colonialidade a partir de autoras latino-americanas, e verificar o alcance da teoria feminista decolonial até a sua materialização nos movimentos sociais feministas. MATERIAIS E MÉTODO: foi utilizada a metodologia qualitativa por meio de pesquisa bibliográfica e documental, com ênfase em autoras latino-americanas. RESULTADOS: a pesquisa aprofundou e relacionou os conceitos de colonialidade do poder (Quijano), do sistema moderno-colonial de gênero (Lugones), da genealogia da experiência e da colonialidade da razão feminista (Espinosa Miñoso), das metodologias feministas decoloniais (Curiel), da amefricanidade e do racismo por omissão (Gonzalez), articulando-os a experiências de movimentos sociais feministas do Sul Global. CONSIDERAÇÕES FINAIS: concluiu-se que a colonialidade segue conformando as categorias de gênero, raça e classe no Brasil e na América Latina, de modo que o enfrentamento ao racismo e ao sexismo depende de uma reconstrução epistêmica que reconheça as mulheres do Sul Global como sujeitos de conhecimento, e não apenas como objeto de tutela. O feminismo decolonial apresenta-se, assim, como instrumental teórico e político indispensável à superação das desigualdades herdadas do colonialismo.
PALAVRAS-CHAVE: Feminismo decolonial; Colonialidade de gênero; Interseccionalidade; Racismo; Sexismo; Sul Global; Epistemologias decoloniais.
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