PROPORÇÃO DE PACIENTES FORA DA META DE LDL-COLESTEROL: UM ESTUDO DE SEGUIMENTO AMBULATORIAL DE PACIENTES DE ALTO E MUITO ALTO RISCO CARDIOVASCULAR
INTRODUÇÃO: As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo, e a dislipidemia é um dos principais fatores de risco modificáveis para eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio (IAM). Diretrizes nacionais e internacionais recomendam metas rigorosas de LDL-colesterol para pacientes de alto e muito alto risco, mas estudos prévios no sistema público de saúdede Curitiba indicam baixas taxas de controle lipídico. OBJETIVOS: Identificar a porcentagem de pacientes de alto e muito alto risco cardiovascular que se encontram fora da meta de LDL-colesterol preconizada pela Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção de Aterosclerose, avaliando a proporção de pacientes que permanecem fora da meta durante o primeiro ano de seguimento ambulatorial. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal e retrospectivo, com análise de prontuários eletrônicos de pacientes maiores de 18 anos, classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular, em seguimento ambulatorial em um hospital universitário de Curitiba – PR, entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2024. Após as exclusões, a amostra final foi de 416 pacientes, dos quais 359 possuíam mais de uma consulta registrada e compuseram o subgrupo de seguimento pareado. O LDL-colesterol da linha de base e o mais recente foram comparados pelo teste de Wilcoxon; a mudança na intensidade do tratamento e no atingimento da meta, pelos testes de McNemar-Bowker e McNemar; a trajetória em três momentos (subgrupo n=100), pelo teste de Friedman; e os preditores de atingimento da meta, por regressão logística univariada. RESULTADOS: na linha de base, 92,8% dos pacientes estavam fora da meta de LDLcolesterol; no acompanhamento mais recente, essa proporção reduziu para 81,3- 82,5%. O LDL-colesterol mediano caiu de 98,0 para 74,0 mg/dl (p<0,001), com intensificação do tratamento em 85,2% dos casos e introdução de ezetimibe em 18,7% dos pacientes. A maior da redução do LDL-colesterol ocorreu no primeiro ano deseguimento, sem queda adicional significativa depois (p=0,121) e a reavaliação laboratorial precoce não se associou a melhores resultados no acompanhamento mais recente (LDL-c, proporção na meta e intensidade do tratamento). CONSIDERAÇÕES FINAIS: houve redução expressiva do LDL-colesterol ao longo do seguimento ambulatorial, mas essa redução foi insuficiente para levar a maioria dos pacientes à meta preconizada pela diretriz. O platô do LDL-colesterol já no primeiro ano e a ausência de diferença entre pacientes com e sem reavaliação precoce demonstram limitações estruturais do sistema público de saúde no manejo intensivo da dislipidemia de alto e muito alto risco.
PALAVRAS-CHAVE: Dislipidemia; LDL-colesterol; Risco cardiovascular; Alvo terapêutico; Aterosclerose.
Votação encerrada.