ANÁLISE DO PAPEL DO VEGF-R NO PROCESSO DE ANGIOGÊNESE EM PLACENTAS DE GESTANTES COM COVID-19
INTRODUÇÃO: A infecção pelo SARS-CoV-2 durante a gestação é associada a complicações vasculares e disfunção placentária. A angiogênese tecidual é mediada pela sinalização do fator de crescimento endotelial vascular e seu receptor, porém o impacto da COVID-19 na densidade tecidual desse biomarcador ainda precisa ser elucidado. OBJETIVOS: Avaliar e comparar a imunoexpressão tecidual do receptor de fator de crescimento endotelial vascular (VEGF-R) em placentas de gestantes infectadas pelo SARS-CoV-2 e gestantes saudáveis, relacionando os achados morfométricos a parâmetros clínicos, demográficos e à gravidade da doença. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal e analítico realizado com 94 amostras de tecidos placentários mantidos em blocos de parafina, divididas entre o grupo acometido por COVID-19 (n=75) e o grupo controle não infectado (n=19). As lâminas foram submetidas à reação de imunohistoquímica para o marcador VEGF-R e digitalizadas no escâner de lâminas Axio Scan.Z1. A quantificação percentual da área marcada na vilosidade e na decídua placentária foi executada por morfometria computadorizada no software Zen Blue Edition. A análise estatística utilizou o teste não paramétrico de Mann-Whitney, adotando nível de significância de p<0,05. RESULTADOS: A mediana de idade das gestantes no grupo COVID-19 foi de 30,0 anos e no grupo controle de 25,0 anos (p=0,0937). A imunoexpressão percentual de VEGF-R na vilosidade placentária apresentou mediana de 4,45% no grupo COVID-19 e de 4,17% no grupo controle, não demonstrando diferença estatisticamente significante (p=0,5013). Na decídua placentária, a mediana da área marcada foi de 5,10% no grupo COVID-19 contra 5,30% no grupo controle (p=0,5434). A expressão do receptor também não apresentou associação significante com a presença de comorbidades prévias ou com a intensidade da infecção materna. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A imunoexpressão tecidual do VEGF-R manteve-se estável nas placentas expostas ao SARS-CoV-2. Conclui-se que o dano vascular placentário observado na COVID-19 não decorre de alterações quantitativas na densidade do receptor de membrana, mas sim do bloqueio funcional por antagonistas solúveis circulantes.
PALAVRAS-CHAVE: COVID-19; Placenta; Angiogênese; Receptores do Fator de Crescimento Endotelial Vascular; Imunohistoquímica.
Votação encerrada.