A INFLUÊNCIA DA MICROBIOTA INTESTINAL NA MANIFESTAÇÃO CLÍNICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UM ESTUDO TRANSVERSAL.
INTRODUÇÃO: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação e interação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, frequentemente associado a comorbidades gastrointestinais, cuja prevalência pode variar entre 40 a 70% nessa população. Estudos recentes têm relacionado essas manifestações a alterações na microbiota intestinal e à sua comunicação bidirecional com o sistema nervoso central por meio do eixo intestino-cérebro, sugerindo que a disbiose intestinal possa estar associada a sintomas comportamentais como irritabilidade, agitação e prejuízo funcional, muitas vezes interpretados exclusivamente como traços do transtorno em crianças com limitações na comunicação verbal. OBJETIVOS: Investigar a relação entre a microbiota intestinal e os sintomas do TEA em crianças atendidas em consultório de gastroenterologia pediátrica, buscando confirmar a hipótese de que a disbiose intestinal está associada à maior intensidade dos sintomas do transtorno, tendo como objetivos específicos analisar a prevalência de sintomas gastrointestinais nessa população e avaliar possíveis correlações entre disbiose intestinal e a gravidade de manifestações neurocomportamentais. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de estudo observacional, transversal e quantitativo, realizado com crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diagnóstico de TEA, acompanhados em consultório de gastroenterologia pediátrica em Londrina (PR), selecionados por conveniência. Os dados foram coletados por meio do instrumento Autism Spectrum Disorder Gastrointestinal and Related Behaviors Inventory (ASD-GIRBI), traduzido para o português, respondido pelos responsáveis legais via formulário digital, com posterior análise estatística descritiva e de correlação (Pearson). RESULTADOS: Foram contatados 53 responsáveis legais, dos quais 21 completaram o questionário, compondo a amostra final, com predomínio do sexo masculino (81%). Observou-se alta prevalência de sintomas gastrointestinais crônicos, com destaque para distensão abdominal, excesso de gases e constipação intestinal, além de comportamentos sugestivos de desconforto físico, como irritabilidade e prejuízo em atividades diárias. Identificaram-se correlações estatisticamente significativas entre dor abdominal e comportamentos não verbais de dor, entre náusea/vômito e irritabilidade, e entre idade e maior expressão comportamental do desconforto. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os sintomas gastrointestinais no TEA parecem estar intimamente relacionados a manifestações comportamentais, reforçando a importância de sua avaliação sistemática na prática clínica e o potencial de abordagens integradas voltadas à modulação da microbiota intestinal para a melhora da qualidade de vida dessas crianças e de suas famílias.
PALAVRAS-CHAVE: TEA; Autismo; Microbiota.
Votação encerrada.