SAÚDE MENTAL E DIREITOS HUMANOS ENTRE OS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
INTRODUÇÃO: Embora a rede pública de Ensino Médio do Paraná apresente resultados positivos no IDEB, contradições emergem quando se analisa a convivência escolar, destacando-se a violência e o bullying direcionados a grupos vulneráveis, como estudantes com deficiência, como um dos principais problemas vividos nesse ambiente OBJETIVOS: Compreender o estado emocional e os comportamentos dos estudantes do Ensino Médio, analisar a influência do contexto social e examinar as ações da escola diante do acolhimento ou violação dos direitos humanos. MATERIAIS E MÉTODO: Utilizou-se uma abordagem mista (qualiquantitativa) com triangulação de dados. A dimensão quantitativa mapeou o número de alunos com laudo de deficiência ou transtornos e a distribuição demográfica em 18 turmas do Ensino Médio em uma escola estadual de Curitiba entre março e abril de 2025. A dimensão qualitativa realizou-se mediante entrevista exploratória não estruturada com cinco integrantes da equipe diretiva e pedagógica, cujos discursos foram submetidos à análise temática. RESULTADOS: Mapearam-se 35 estudantes com laudo, predominantemente com Déficit de Atenção (n=20) e Transtorno do Espectro Autista (n=11), observando-se algumas disparidades na distribuição entre turmas. Qualitativamente, identificaram-se três eixos temáticos: o bullying praticado contra alunos com deficiência como reflexo da falta de poder e reprodução de violências familiares; a baixa adesão e apatia dos responsáveis por projetos de diminuição de danos, atravessadas por fragilidades socioeconômicas; e o sucateamento do serviço educacional, evidenciado pelo déficit de professores e pela carência de auxiliares capacitados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo aponta que o sucateamento escolar e a sobrecarga docente limitam intervenções efetivas, reforçando a necessidade de políticas públicas e redes de apoio estruturadas para garantir o pleno desenvolvimento dos estudantes e a efetivação dos direitos humanos. Ainda, os responsáveis podem ser também vítimas de uma expressão violenta maior, fator que respinga no comportamento dos jovens agressivos. Dessa forma, urge que o enfrentamento da violência e do bullying tenha foco na justiça restaurativa, diálogo horizontal, e nas dimensões biopsicossociais e estruturais tanto das vítimas quanto dos agressores, buscando o bem-estar e pleno desenvolvimento dos jovens.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde Mental; Direitos Humanos; Violência; Educação; Ensino Médio.
Votação encerrada.