PERCEPÇÃO DE MÉDICOS GERIATRAS SOBRE O PLANEJAMENTO ANTECIPADO DE CUIDADOS COMO UMA ESTRATÉGIA PARA MINIMIZAR CONFLITOS BIOÉTICOS
INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional e o aumento da prevalência da síndrome da fragilidade tornam a tomada de decisão clínica na geriatria mais complexa, favorecendo o surgimento de conflitos bioéticos relacionados à definição de objetivos terapêuticos, limitação de tratamentos e respeito à autonomia da pessoa idosa. Nesse contexto, o Planejamento Antecipado de Cuidados (PAC) apresenta-se como um processo estruturado de comunicação capaz de alinhar os cuidados aos valores, preferências e objetivos do paciente, contribuindo para decisões compartilhadas e para a prevenção de conflitos. OBJETIVOS: Analisar a percepção de médicos geriatras sobre o Planejamento Antecipado de Cuidados como estratégia para minimizar conflitos bioéticos na assistência à pessoa idosa frágil. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de pesquisa qualitativa, de abordagem fenomenológica, aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa. Participaram do estudo 12 médicos especialistas em geriatria, selecionados por amostragem intencional e técnica de bola de neve. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas por videoconferência, transcritas, validadas pelos participantes e submetidas à análise de conteúdo temática, utilizando o software Atlas.ti para organização e codificação dos dados. RESULTADOS: Os relatos evidenciaram que conflitos bioéticos no cuidado de pessoas idosas com fragilidade podem estar relacionados a fatores inerentes aos profissionais de saúde, ao núcleo paciente-família e ao sistema de saúde, destacando-se dificuldades prognósticas, falhas de comunicação, desalinhamento entre equipes, influência de crenças e valores, ausência de planejamento prévio e limitações estruturais para implementação dos cuidados paliativos. As quatro etapas do Planejamento Antecipado de Cuidados demonstraram potencial para minimizar esses conflitos, a partir de comunicação compassiva, tomada de decisão compartilhada, cuidado longitudinal, fortalecimento do vínculo entre equipe, paciente e familiares, atuação interprofissional e a documentação do plano de cuidados. A preparação contribui para a avaliação clínica e psicossocial e para a reflexão do profissional; a introdução facilita o estabelecimento de vínculo e a abertura para o diálogo; a identificação da percepção do paciente possibilita o alinhamento entre valores, expectativas e possibilidades terapêuticas; e a ação fortalece o respeito à autonomia, melhora a comunicação entre equipes e fornece respaldo ético e jurídico às decisões. Também foram identificados fatores que influenciam sua implementação, como disponibilidade de tempo, preparo profissional, flexibilidade moral e utilização de ferramentas facilitadoras. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O Planejamento Antecipado de Cuidados foi percebido como uma estratégia promissora para reduzir conflitos bioéticos na assistência à pessoa idosa frágil, favorecendo decisões compartilhadas, respeito à autonomia e maior alinhamento entre profissionais, pacientes e familiares. Os achados reforçam a necessidade de ampliar sua incorporação na prática clínica e de desenvolver estudos que avaliem seu impacto sobre os conflitos bioéticos como desfecho assistencial.
PALAVRAS-CHAVE: Planejamento Antecipado de Cuidados; Bioética; Geriatria; Fragilidade; Tomada de decisão compartilhada.
Votação encerrada.