Logo PUCPR

A POLÍTICA EXTERNA INDEPENDENTE: DE JK A JOÃO GOULART (1956-1964)

RODRIGUES, Raphael Rigoni¹; MASKE, Wilson³
Curso do(a) Estudante: Licenciatura em História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A Política Externa Independente (PEI), concebida e desenvolvida ao longo dos governos de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart (1956–1964), constituiu um dos momentos de maior divisão da diplomacia brasileira propondo um rompimento com o alinhamento automático em relação às potências ocidentais e a afirmação do país como um ator plenamente autônomo no cenário geopolítico da Guerra Fria. Essas diretrizes se alicerçavam tanto na formulação de um posicionamento político soberano quanto na redefinição da inserção econômica e comercial do Brasil no sistema internacional, visando superar o subdesenvolvimento estrutural. OBJETIVOS: O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar a PEI não como fruto um projeto ideológico ou atitudes personalistas, mas sim como um projeto político e econômico estruturado por setores do desenvolvimentismo. Especificamente, buscou-se compreender como esse reposicionamento articulou as necessidades do capitalismo nacional e as reações ocasionadas no plano diplomático, sobretudo por parte do governo dos Estados Unidos, e no plano interno, pela oposição conservadora. A pesquisa fundamentou-se na análise documental de fontes primárias, incluindo discursos presidenciais, relatórios diplomáticos brasileiros, documentos do Departamento de Estado norte-americano e matérias da grande imprensa do período. MATERIAIS E MÉTODO: Teoricamente, o estudo ancora-se na historiografia das relações internacionais e no conceito de forças profundas, na teoria econômica da CEPAL e na literatura sobre o trabalhismo. RESULTADOS: Constatando-se que a PEI atuou como uma estratégia de afirmação de soberania intrinsecamente atrelada ao esforço de industrialização nacional e à diversificação de parceiros comerciais, abrangendo inclusive o reatamento diplomático e pragmático com o bloco socialista. Como reação a esse movimento, os documentos oficiais revelam o envolvimento direto da diplomacia norte-americana em retaliações financeiras e no financiamento seletivo de governadores oposicionistas, enquanto a grande imprensa e setores da oposição promoviam uma sistemática campanha de deslegitimação do governo federal e das Reformas de Base. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Dessa forma, a Política Externa Independente não representou um desvio ou radicalização ideológica, mas sim um rigoroso cálculo de rota voltado ao desenvolvimento material e à autodeterminação, cujo choque inevitável com os interesses geopolíticos hegemônicos e com as elites locais culminou no acirramento da crise política do período.

PALAVRAS-CHAVE: Política Externa Independente; João Goulart; Guerra Fria; Relações internacionais do Brasil.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa PUCPR no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.