Logo PUCPR

EDUCAÇÃO FILOSÓFICA E AUTODEFESA CONTRA O CONSUMISMO

MARQUES, Eduardo Backes¹; TIBALDEO, Roberto Franzini³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Filosofia – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A sociedade contemporânea é profundamente marcada pelo consumismo, fenômeno que atua como vetor de autoafirmação e modelagem da subjetividade pós-moderna, operando prejuízos de ordem psicológica, social e ambiental. A manutenção dessa dinâmica se apoia no aprisionamento psíquico sob um Princípio de Realidade repressivo e na atuação da publicidade como um sistema mágico que captura os desejos dos indivíduos, gerando endividamento e convertendo as relações humanas em dinâmicas mercantilizadas. Esse cenário desencadeia uma atrofia da responsabilidade ética que negligencia a biosfera e compromete as gerações futuras em prol de satisfações imediatas. A escola, inserida nesta crise estrutural, emerge como potencial espaço de resistência cultural através da educação filosófica. OBJETIVOS: O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar a relevância e a eficácia do diálogo filosófico comunitário como estratégia de autodefesa face ao consumismo atual. Especificamente, a pesquisa propõe examinar a engrenagem do consumo contemporâneo sob a perspectiva analítica de Herbert Marcuse e Hans Jonas; investigar o significado teórico e prático da Comunidade de Investigação Filosófica (CIF) formulada por Matthew Lipman e Ann Margaret Sharp; e avaliar as características do empoderamento individual e comunitário proporcionados por esta práxis pedagógica. MATERIAIS E MÉTODO: Caracteriza-se como um estudo qualitativo de natureza teórico-conceitual e bibliográfica, fundamentado no cruzamento interdisciplinar entre a Teoria Crítica e a Ética da Responsabilidade. O percurso abrange o levantamento de literatura em português e inglês, a elaboração de fichamentos analíticos para extração de categorias operacionais e a síntese dialética das obras examinadas. RESULTADOS: A articulação teórica resultou na organização de eixos analíticos que contrapõem o diagnóstico estrutural do capital, sustentado no fetichismo da mercadoria e na racionalidade tecnológica, à proposta de superação pedagógica mediada pelo pensamento cuidadoso (caring thinking). O mapeamento recupera a evolução histórica da Filosofia para Crianças desde o seu surgimento nos Estados Unidos na década de 1970 até a sua recepção e revisão crítica na América Latina. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados demonstram que a Comunidade de Investigação Filosófica apresenta eficácia significativa no estímulo ao raciocínio crítico e na promoção de transformações microestruturais nos sujeitos ao resgatar a agência e o cuidado relacional em sala de aula. Contudo, constata-se que a educação filosófica não deve ser revestida de caráter pedagógico salvacionista, uma vez que o enredamento consumista e o colapso ambiental constituem fenômenos macroestruturais complexos. A superação efetiva dessas problemáticas requer a transposição da reflexão desenvolvida intramuros em práxis materializável na realidade exterior, superando o risco do confinamento conceitual e da burocratização institucional do pensamento crítico.

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade de Investigação Filosófica; Consumismo; Autodefesa; Pensamento Cuidadoso; Ann Sharp e Matthew Lipman.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária Inclusão Social no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.