COMPARAÇÃO DO IMPLANTE 3D DE ALGINATO E ÁCIDO HIALURÔNICO E GRUPO CONTROLE PARA REPARAÇÃO TRAQUEAL EM COELHOS
INTRODUÇÃO: Lesões traqueais extensas representam um desafio clínico devido à limitada capacidade de regeneração da traqueia e às limitações das estratégias terapêuticas atualmente disponíveis. Nesse contexto, a engenharia de tecidos surge como uma alternativa, e hidrogéis à base de alginato e ácido hialurônico apresentam propriedades favoráveis, como a biocompatibilidade e a biodegradabilidade, para a fabricação de scaffolds. Entretanto, a aplicação dessa combinação especificamente na regeneração traqueal ainda permanece pouco explorada. OBJETIVOS: avaliar a eficácia de scaffolds de alginato e ácido hialurônico para a reparação de lesões traqueais em coelhos submetidos à traqueostomia. MATERIAIS E MÉTODO: foram utilizados 20 coelhos da raça Nova Zelândia, distribuídos em dois grupos experimentais: controle (n=5), submetido apenas à traqueostomia, e alginato mais ácido hialurônico (n=15), submetido à traqueostomia seguida da implantação do scaffold. O biomaterial foi caracterizado por meio de microscopia eletrônica de varredura e espectroscopia por energia dispersiva de raios X. Além disso, mensurações da área interna e do perímetro da luz traqueal no local da traqueostomia foram realizadas. Os dados foram analisados estatisticamente pelo software Jamovi, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: Dos 20 animais, 5 não completaram o período experimental (40 dias), todos pertencentes ao grupo do scaffold. 3 foram a óbito no dia do procedimento, provavelmente decorrente de complicações anestésicas; 1 animal no 3º dia de pós-operatório; e outro, no 6º. A caracterização do scaffold apresentou estrutura altamente porosa e interconectada, além de integridade estrutural e distribuição homogênea dos biomateriais empregados. A EDS confirmou a incorporação dos componentes bioativos à matriz polimérica e a preservação da homogeneidade química do scaffold. O grupo alginato e ácido hialurônico apresentou uma área média menor e um perímetro médio maior quando comparado ao grupo controle. Entretanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre ambos os grupos (p>0,05). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Em conjunto, os resultados reforçam o potencial da combinação de alginato com ácido hialurônico como estratégia para regeneração traqueal, o que encoraja a continuidade desta linha de pesquisa. Entretanto, estudos adicionais são necessários para confirmar esses achados e ampliar as perspectivas de sua futura aplicação clínica.
PALAVRAS-CHAVE: Engenharia de Tecidos; traqueia; traqueostomia; alginato; modelo experimental.
Votação encerrada.