ENTRE PALAVRAS E SILÊNCIOS: A INVISIBILIDADE DO TRADUTOR
INTRODUÇÃO: A tradução literária desempenha um papel fundamental na circulação de obras entre diferentes línguas e culturas, porém a atuação do tradutor frequentemente permanece invisibilizada nos processos editoriais e no reconhecimento autoral. Essa pesquisa parte dessa problemática para compreender como esse apagamento pode ser interpretado à luz da Semiótica do Silêncio. OBJETIVOS: Investigar como a atuação do tradutor literário é silenciada ou invisibilizada, analisando esse fenômeno sob a perspectiva da semiótica e observando seus efeitos no reconhecimento desse profissional. Também buscou compreender os principais conceitos relacionados ao silêncio, à tradução literária e ao papel do tradutor, além de analisar, por meio de um estudo comparativo, como escolhas tradutórias podem preservar ou apagar elementos culturais do texto de origem. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa possui caráter teórico e qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica sobre semiótica, estudos da tradução e filosofia da linguagem. Para a análise foi utilizado o método semiótico peirceano, tendo como corpus o poema “Evocação do Recife”, de Manuel Bandeira, publicado em Libertinagens (1930), e sua tradução para o inglês realizada por Candace Slater na edição bilíngue This Earth, That Sky: Poems by Manuel Bandeira. A comparação concentrou-se em signos culturais, marcas de oralidade e referências regionais, relacionando as escolhas tradutórias às categorias de primeiridade, secundidade e terceiridade. RESULTADOS: A análise evidenciou que a tradutora alterna momentos de maior invisibilidade, ao domesticar referências culturais em favor da fluidez do texto, e momentos de maior visibilidade, quando realiza escolhas interpretativas ou criativas. Observou-se que esse movimento nem sempre preserva os sentidos culturais do texto original, produzindo diferentes formas de apagamento de signos regionais e da alteridade presente na obra. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a invisibilidade do tradutor não se limita ao apagamento de sua autoria, mas também pode envolver o silenciamento de elementos culturais do texto traduzido. A pesquisa reforça a importância de reconhecer o tradutor como sujeito de linguagem e de compreender a tradução literária como um processo interpretativo que produz novos sentidos, especialmente quando envolve obras marcadas por forte identidade cultural.
PALAVRAS-CHAVE: Tradução literária; Semiótica do silêncio; Invisibilidade do tradutor; Manuel Bandeira; Tradução de poesia.
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