IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA COMPETIÇÃO GLOBAL
INTRODUÇÃO: A inteligência artificial consolidou-se como tecnologia de propósito geral capaz de modificar simultaneamente processos produtivos, estruturas ocupacionais, cadeias globais de valor e formas de competição entre Estados. Sua expansão deixou de ser apenas transformação técnica para integrar a economia política internacional, já que a capacidade de desenvolver, financiar e regular essas tecnologias influencia produtividade, segurança nacional e inserção internacional. O estudo parte de uma dupla transformação: internamente, a IA pode elevar produtividade e intensificar desigualdades; externamente, a concentração das capacidades tecnológicas pode reforçar dependências entre países. OBJETIVOS: Analisar os impactos econômicos e sociais da inteligência artificial na competição global, com atenção às políticas das principais potências, às transformações do mercado de trabalho e às implicações para as economias emergentes. Especificamente, buscou-se investigar as políticas de IA adotadas pelas potências globais e sua influência sobre a competitividade internacional; analisar os efeitos da IA na estrutura do mercado de trabalho, com ênfase na automação e na polarização ocupacional; examinar implicações sociais como privacidade, ética e desigualdade; e investigar as implicações da competição por IA para as economias emergentes. MATERIAIS E MÉTODO: Pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, conduzida por revisão bibliográfica e análise documental, sem coleta primária de dados. O material — artigos acadêmicos, obras teóricas, documentos governamentais e relatórios de organismos internacionais — foi organizado em dois eixos analíticos: políticas de inteligência artificial e competitividade internacional; e transformação produtiva e reconfiguração do mercado de trabalho global. RESULTADOS: Estados Unidos, China e União Europeia estruturam estratégias distintas de desenvolvimento e regulação da IA, combinando em proporções diferentes mercado, coordenação estatal e poder normativo — os EUA com protagonismo privado, a China com planejamento estatal de longo prazo, e a UE convertendo capacidade regulatória em influência internacional (o “efeito Bruxelas”). No mercado de trabalho, verificou-se que a automação incide sobretudo sobre tarefas específicas, e não sobre ocupações inteiras, enquanto a IA generativa amplia a exposição de atividades cognitivas e pode intensificar a polarização ocupacional, embora também possa difundir conhecimento e reduzir diferenças de produtividade entre trabalhadores. No plano internacional, a concentração de modelos, infraestrutura, capital e competências favorece as economias já na fronteira tecnológica e amplia riscos de dependência para os países predominantemente adotantes de IA, afetando cadeias globais de valor e a capacidade de upgrading produtivo das economias emergentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A inteligência artificial não produz efeitos econômicos e sociais uniformes: seus resultados dependem da capacidade dos Estados de articular inovação, qualificação, infraestrutura e políticas de desenvolvimento. Para as economias emergentes, a adoção tecnológica pode gerar ganhos de produtividade, mas sua conversão em competitividade duradoura exige a formação de capacidades nacionais de adaptação, inovação e participação em atividades de maior valor agregado, e não apenas a incorporação de ferramentas estrangeiras.
PALAVRAS-CHAVE: Inteligência artificial; Competição global; Mercado de trabalho; Economia política internacional; Economias emergentes.
Votação encerrada.