POLÍTICAS URBANAS E FORMAÇÃO DE MERCADOS URBANOS LOCAIS: ANÁLISE TEMPORAL DE ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS AGROPECUÁRIOS EM CURITIBA
INTRODUÇÃO: As cidades concentram uma parte importante das atividades comerciais e de serviços que sustentam o agronegócio, do comércio de insumos e de máquinas aos serviços veterinários e agronômicos e ao atacado de alimen-tos. A instalação dessas atividades depende de regras municipais de uso e ocupação do solo, definidas nos Pla-nos Diretores, mas quase não se sabe como o setor responde a essas regras ao longo do tempo. OBJETIVOS: Descrever a evolução mensal do número de estabelecimentos comerciais agropecuários abertos em Curitiba e verificar se essa evolução mudou depois do Plano Diretor de 2015. MATERIAIS E MÉTODO: Foram reunidas 88 versões da Base de Alvarás publicada pela Prefeitura Municipal de Curitiba entre 2016 e 2024. Delas foram extraídos 8.468 alvarás de estabelecimentos agropecuários, correspondentes a 7.527 estabe-lecimentos distintos. Com esses registros construiu-se uma série mensal de aberturas, analisada por modelos de séries temporais do tipo SARIMA e SARIMAX, que separam a tendência de longo prazo, o padrão que se repete a cada ano e o efeito de eventos específicos, entre eles a entrada em vigor do Plano Diretor de 2015 e a pan-demia de covid-19. RESULTADOS: A abertura mensal de estabelecimentos agropecuários cresceu de forma contínua até meados da década de 2010, passando de uma média de 20,2 aberturas por mês antes do Plano Diretor de 2015 para 26,3 no período seguinte e para cerca de 32 depois de 2020. O modelo não encontrou salto de nível associado ao plano, mas encontrou interrupção do crescimento: a tendência de alta, de 0,0090 por mês, é praticamente anulada por uma mudança de inclinação de −0,0088 a partir de 2016. A participação do setor no total de alvarás do município, entretanto, não registra essa inflexão, o que sugere movimento comum a todo o licenciamento e não resposta específica do agronegócio. A pandemia produziu queda acentuada nos meses de fechamento e recuperação acima do patamar anterior. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O agronegócio urbano de Curitiba é um setor consolidado, com sazonalidade regular e trajetória de crescimento que se acomodou na segunda metade da década passada. Não há evidência de que o Plano Diretor de 2015 tenha, sozinho, provocado essa acomodação. O trabalho mostra que a integração entre planejamento urbano e atividades agropecuárias exige atenção às necessidades de área, de acesso rodoviário e de proximidade com fornecedores que caracterizam esse setor.
PALAVRAS-CHAVE: Agronegócio urbano; Planejamento urbano; Séries temporais; Plano Diretor; Curitiba.
Votação encerrada.