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AVALIAÇÃO DA EXPRESSÃO TECIDUAL DE CD206 POR IMUNOHISTOQUÍMICA NO MICROAMBIENTE TUMORAL DO PSEUDOMIXOMA PERITONEAL

VEIGA, Maria Fernanda Marinoni¹; NORONHA, Lucia de²; MARTINS, Ana Paula Camargo²; SOUZA, Fernanda Gimenez de²; PAULA, Caroline Busatta Vaz de³
Curso do(a) Estudante: Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Medicina – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: O pseudomixoma peritoneal (PMP) é uma síndrome neoplásica rara, com incidência estimada de um a quatro casos por milhão de habitantes, caracterizada pelo acúmulo progressivo de mucina na cavidade peritoneal e pela presença de implantes mucinosos em sua superfície, tendo o apêndice cecal como sítio primário mais frequente. O microambiente tumoral, o qual atua como substrato da neoplasia, desempenha papel crítico na progressão dessa doença, sendo composto por células tumorais, citocinas inflamatórias, fatores de crescimento e células de atuação imunológica, com destaque para os macrófagos associados ao tumor de fenótipo M2, identificados pela expressão da proteína de superfície CD206. Essas células participam ativamente de processos de remodelamento tecidual, modulação da resposta inflamatória e promoção da progressão neoplásica, atuando na construção de um ambiente imunossupressor favorável à sobrevida tumoral. Apesar do reconhecimento crescente da importância do microambiente imune na carcinogênese peritoneal, investigações focadas especificamente na caracterização imunológica do PMP permanecem notadamente escassas na literatura científica, configurando uma lacuna de conhecimento com significativo potencial translacional e terapêutico. OBJETIVOS: O presente estudo teve como objetivo avaliar a expressão tecidual de CD206 em amostras de pacientes com PMP, por meio de imunohistoquímica, comparando sua imunoexpressão entre o sítio primário tumoral (Grupo SP) o peritônio não neoplásico (Grupo PNN) e os implantes peritoneais (Grupo PMP). MATERIAIS E MÉTODO: Foram selecionadas amostras de tecido parafinado de 13 pacientes com PMP, organizadas em blocos multi-amostrais (TMA) e submetidas à técnica de imunohistoquímica para detecção da expressão de CD206. A imunomarcação foi avaliada por morfometria e pelo escore de Allred adaptado, e os resultados foram submetidos à avaliação estatística. RESULTADOS: Os achados demográficos e clínicos corroboraram integralmente os dados reportados pela literatura. A análise morfométrica quantitativa não evidenciou diferenças estatisticamente significativas na expressão de CD206 entre os grupos avaliados. Contudo, a avaliação complementar pelo escore de Allred adaptado demonstrou maior proporção de células CD206-positivas nos Grupos PNN e PMP em comparação ao Grupo SP (p=0,036), sugerindo que o compartimento peritoneal apresenta características imunológicas distintas daquelas do tumor original. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A abordagem metodológica dual, associando segmentação semiautomatizada a avaliação anatomopatológica, conferiu robustez, originalidade analítica e maior poder interpretativo ao estudo. Os resultados sugerem um possível papel do microambiente peritoneal na dinâmica de polarização macrofágica, incentivando novas investigações sobre a participação dos macrófagos M2 na progressão da doença.

PALAVRAS-CHAVE: Pseudomixoma peritoneal; Macrófagos M2; Receptor de Manose; Imunohistoquímica; Microambiente tumoral.

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