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CONFRONTOS CONCEITUAIS E IMPLICAÇÕES SOCIAIS NA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO EMPREENDEDORISMO

VANZO, Otávio Alvarenga¹; CARVALHO, Henrique Ceciliato de³
Curso do(a) Estudante: Administração – Câmpus Londrina
Curso do(a) Orientador(a): Administração – Escola de Londrina – Câmpus Londrina

INTRODUÇÃO: O empreendedorismo consolidou-se como eixo central do imaginário social e das práticas laborais contemporâneas, sendo recorrentemente apresentado como solução para questões estruturais do mercado de trabalho. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (2024), ter o próprio negócio figura como o terceiro maior sonho do brasileiro. Os dados socioeconômicos, contudo, associam o fenômeno à precarização e à vulnerabilidade laboral, o que impõe à administração, principal instância acadêmica de produção e difusão do discurso empreendedor, o exame crítico das bases conceituais que dissemina. OBJETIVOS: Apurar as bases conceituais, técnicas e sociais do empreendedorismo, de sua consolidação histórica às interpretações que marcam sua presença na contemporaneidade constitui o objetivo geral da pesquisa. Para tal, deve-se identificar os marcos e autores que estruturaram o campo, examinando suas abordagens teóricas e investigando as tensões e contradições presentes em suas diferentes vertentes, com destaque para seus efeitos na construção de discursos e subjetividades sociais. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa é de natureza teórica e bibliográfica, com abordagem qualitativa sob uma perspectiva histórico-crítica, estruturada em três etapas: levantamento das matrizes conceituais, análise das abordagens contemporâneas e investigação das contradições inerentes ao conceito. A coleta empregou bases de alto impacto (Google Acadêmico, SciELO e Portal de Periódicos da CAPES), com recorte a partir de 2014, somada a obras seminais de sustentação epistemológica. A análise seguiu orientação crítico-discursiva, confrontando a promessa de autonomia do discurso gerencial com dados socioeconômicos do GEM e do Sebrae. RESULTADOS: Com isso, percebeu-se que a figura do empreendedor se revelou como um constructo historicamente maleável, forjado em sintonia com as transformações da matriz econômica e social. As vertentes econômica (Cantillon, Say, Schumpeter, Knight), comportamental-psicológica (McClelland, Dornelas) e sociológica (Weber, Sombart) dividem-se entre fundamentos inconciliáveis: uma linhagem situa a finalidade do empreendedorismo na produção de riqueza e valorização do capital; outra, na satisfação de necessidades sociais. A análise demonstra que a segunda proposição sofre dificuldades em se efetivar sob o comando da primeira, pois o valor reconhecido pela lógica da acumulação não é a utilidade social, mas o retorno econômico, estruturando assim um termo polissêmico dentro da literatura científica acerca do tema. Operando como significante vazio dotado de poder simbólico, o empreendedorismo funciona ainda como dispositivo de produção de subjetividade que internaliza no indivíduo a responsabilidade pela própria precariedade, fato sustentado ao perceber que 82% dos empreendedores brasileiros não possuem empregados e metade opera no limiar da subsistência (GEM, 2018), despolitizando o sofrimento e revestindo a subordinação com a gramática da autonomia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que o empreendedorismo carrega uma contradição constitutiva, na qual sua promessa e sua estrutura se excluem mutuamente, de modo que a realização daquilo que promete exigiria a superação daquilo que é. A pesquisa oferece ao campo da administração ferramentas para a revisão crítica do ensino de empreendedorismo, a qualificação das políticas de fomento e a abertura de uma agenda empírica capaz de reconectar o conceito às demandas sociais que afirma atender.

PALAVRAS-CHAVE: Empreendedorismo; Significante vazio; Neoliberalismo; Poder simbólico.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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