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O ESTILO COMO PRÁTICA SOCIAL EM AMARELO: PROCEDIMENTOS DE REFERENCIAÇÃO TEXTUAL NAS CANÇÕES DE EMICIDA

TORRES, Maria Eduarda Ribeiro¹; COSTA, Sandra Batista da³
Curso do(a) Estudante: Letras-Português-Inglês – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Letras – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: Esta pesquisa analisa o estilo como prática social na canção Principia, do álbum AmarElo (2019), de Emicida. Para tanto, fundamenta-se na concepção de estilo como prática social, conforme Eckert (2000; 2022) e Coupland (2007), e na abordagem da referenciação como processo de construção e reconstrução de objetos de discurso, proposta por Koch (2002; 2004), Bentes e Rezende (2017) e Cavalcante (2024). Nessa perspectiva, entende-se que as escolhas referenciais integram a composição estilística, na medida em que mobilizam vozes, memórias e elementos socioculturais na produção de sentidos. Assim, parte-se da hipótese de que a introdução, a retomada e a recategorização de referentes em Principia contribuem para projetar pertencimentos e posicionamentos vinculados a experiências negras e periféricas. OBJETIVOS: Identificar e analisar os processos de referenciação empregados em Principia, observando sua composição e recategorização ao longo da canção e interpretando seus efeitos na construção do estilo e de identidades sociais. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de abordagem analítico-interpretativa, fundamentada na Linguística Textual e na Sociolinguística Interacionista. O corpus compreende a canção Principia, primeira faixa do álbum AmarElo. A análise considerou quatro categorias: (i) introdução e retomada de referentes; (ii) recategorização e ampliação; (iii) formas de referenciação na construção de “eu” e “nós”; e (iv) articulação entre referentes e elementos socioculturais. As ocorrências foram descritas e interpretadas quanto ao funcionamento linguístico-discursivo e às suas contribuições para a produção de sentidos, o estilo e a construção identitária. RESULTADOS: A análise identificou ocorrências de introdução, retomada, recategorização e ampliação de referentes, que se distribuem ao longo da canção e estabelecem relações entre experiências individuais e coletivas. As formas pronominais “eu” e “nós”, por exemplo, alternam posições enunciativas e aproximam a voz individual de uma dimensão coletiva, enquanto referentes associados à ancestralidade, à espiritualidade, à coletividade e à experiência social são retomados e ampliados no desenvolvimento da composição. Observou-se, ainda, que determinados referentes adquirem novos contornos à medida que são relacionados a outras referências socioculturais, estabelecendo conexões entre diferentes temporalidades e experiências. Assim, os dados indicam que a referenciação não se limita à manutenção da continuidade textual, uma vez que a introdução, a retomada e a recategorização dos referentes contribuem para orientar os sentidos construídos na canção. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os resultados permitem compreender que os processos de referenciação constituem um recurso relevante para a composição estilística de Principia. Na perspectiva da Linguística Textual, a introdução, a retomada e a recategorização de referentes evidenciam sua construção e transformação ao longo da canção, articulando experiências e memórias socioculturais. Por sua vez, à luz da Sociolinguística, essas escolhas contribuem para projetar pertencimentos e posicionamentos sociais. Desse modo, a articulação entre os campos sustenta a compreensão do estilo como prática social, uma vez que os recursos referenciais contribuem tanto para a organização dos sentidos quanto para a construção de identidades sociais. Nesse sentido, Principia evidencia a atuação integrada de recursos linguístico-discursivos na produção de sentidos e na construção identitária no rap brasileiro contemporâneo.

PALAVRAS-CHAVE: Referenciação; Estilo como prática social; Sociolinguística; Linguística Textual; Identidade social.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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