COMPARAÇÃO ENTRE INSULINA ENDOVENOSA CONTÍNUA E INSULINA SUBCUTÂNEA CONTÍNUA DURANTE O INTRAPARTO PARA PACIENTES INSULINO-DEPENTES: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO: O manejo glicêmico intraparto ideal em gestantes insulinodependentes é essencial para reduzir complicações maternas e neonatais. A insulina endovenosa (EV) é tradicionalmente considerada o padrão de cuidado; entretanto, a administração subcutânea (SC) tem emergido como uma alternativa potencial. Contudo, a eficácia e a segurança comparativas dessas estratégias durante o trabalho de parto permanecem incertas. OBJETIVOS: Comparar o controle glicêmico materno e os desfechos neonatais associados à administração de insulina EV versus subcutânea em gestantes insulinodependentes durante o trabalho de parto. MATERIAIS E MÉTODO: Foi realizada uma revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte retrospectivos que compararam a administração de insulina SC e EV para o controle glicêmico intraparto em gestantes insulinodependentes. As buscas foram conduzidas nas bases de dados PubMed, Embase e Cochrane, desde o início de sua indexação até janeiro de 2025. A extração dos dados foi realizada de forma independente por dois revisores. Utilizou-se modelo de efeitos aleatórios para calcular razões de risco (RRs) e diferenças de médias (MDs), com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Os desfechos não passíveis de meta-análise, incluindo um ensaio clínico randomizado, foram apresentados de forma qualitativa. RESULTADOS: A análise agrupada dos estudos observacionais não demonstrou diferenças significativas entre a insulina EV e a subcutânea quanto à ocorrência de hipoglicemia materna (RR = 0,91; IC95%: 0,21–1,01; p = 0,053). Também não foram observadas diferenças na via de parto, incluindo parto cesáreo (RR = 0,89; IC95%: 0,69–1,16; p = 0,404) e parto vaginal (RR = 1,20; IC95%: 0,72–1,97; p = 0,484). Os desfechos neonatais e os desfechos maternos apresentados de forma descritiva também foram semelhantes entre os grupos. O ensaio clínico randomizado não relatou casos de cetoacidose diabética intraparto e não identificou diferenças significativas nos desfechos maternos ou neonatais. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Sob monitorização protocolizada, a administração de insulina EV e subcutânea parece proporcionar resultados maternos e neonatais comparáveis durante o trabalho de parto. Ensaios clínicos randomizados de maior porte são necessários para confirmar esses achados e orientar a prática clínica.
PALAVRAS-CHAVE: Diabetes insulinodependente; Assistência intraparto; Insulina intravenosa; Anestesia obstétrica; Insulina subcutânea.
Votação encerrada.