MARIA LACERDA DE MOURA:
MARIA LACERDA DE MOURA: REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO, CLASSE E RAÇA EM “A MULHER É UMA DEGENERADA” (1924)
INTRODUÇÃO: No ano de 1924 foi publicada a obra A mulher é uma degenerada de Maria Lacerda de Moura, que debate sobre os papéis de gênero, justificados com base nas perspectivas do determinismo biológico. OBJETIVOS: O objetivo desta pesquisa é analisar as representações sociais de gênero presentes nessa obra, vislumbrando as relações de gênero, raça e classe no Brasil da década de 1920. MATERIAIS E MÉTODO: Este trabalho está amparado pela das representações sociais de Roger Chartier (1990,1991 e 2002), e pela História das Mulheres, com Carla Pinsky (2012), Hahner June (1981) e Margareth Rago (2014). Dentre as conclusões, aponta-se a obra como um espaço de luta de representações. RESULTADOS: A análise da obra, articulada aos Estudos de Gênero, permitiu compreender como Maria Lacerda (1924) constrói representações do feminino e do masculino que desafiam as concepções dominantes de sua época, defendendo a educação, a autonomia intelectual e a participação social das mulheres. A investigação de sua trajetória de vida evidenciou que sua atuação como educadora, escritora e militante anarquista, influenciou diretamente suas reflexões, possibilitando compreender a obra como resultado de uma intensa experiência intelectual e política. Por fim, o estudo do contexto de publicação demonstrou que A mulher é uma degenerada dialoga diretamente com os debates científicos, educacionais e morais da Primeira República, respondendo às teses biologizantes e eugenistas que ganhavam força naquele momento histórico e encontrando espaço de circulação em um público interessado nas transformações sociais em curso. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A análise também permitiu identificar limites na própria obra de Maria Lacerda de Moura (1924). Embora a autora critique de forma contundente a naturalização das desigualdades entre homens e mulheres e denuncie o uso da ciência como instrumento de dominação, sua reflexão não aprofunda as especificidades das experiências femininas atravessadas pela raça e pela classe, tratando frequentemente as mulheres como uma categoria relativamente homogênea. Essa constatação, entretanto, não diminui a relevância histórica de sua produção intelectual. Pelo contrário, evidencia que sua obra deve ser compreendida como resultado das possibilidades e dos limites de seu tempo, abrindo espaço para novas interpretações a partir de perspectivas contemporâneas, especialmente aquelas fundamentadas na interseccionalidade.
PALAVRAS-CHAVE: Maria Lacerda de Moura; Representação social; Relações de gênero; Década de 1920; História das Mulheres.
Votação encerrada.