PREVALÊNCIA DA AUTOMEDICAÇÃO COM VASOCONSTRITORES NASAIS ENTRE ACADÊMICOS DE MEDICINA EM UMA UNIVERSIDADE PRIVADA DO PARANÁ: FREQUÊNCIA DE USO E RISCOS
INTRODUÇÃO: A automedicação representa um importante problema de saúde pública, sendo favorecida pela facilidade de acesso a medicamentos isentos de prescrição e pela percepção equivocada de segurança associada ao seu uso. Entre esses medicamentos, os vasoconstritores nasais tópicos destacam-se pela ampla utilização no alívio da congestão nasal, embora o uso prolongado esteja relacionado ao desenvolvimento de rinite medicamentosa e a outros efeitos adversos locais e sistêmicos. OBJETIVOS: Avaliar a prevalência da automedicação com vasoconstritores nasais entre acadêmicos de Medicina de uma universidade privada do Paraná, investigando os padrões de utilização desses medicamentos, os fatores relacionados ao seu uso e o conhecimento dos estudantes acerca dos riscos associados. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, descritivo e transversal, com abordagem quantitativa, realizado por meio da aplicação de um questionário eletrônico estruturado, composto por 32 questões, disponibilizado aos acadêmicos do 1º ao 8º período do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A coleta de dados ocorreu entre setembro e novembro de 2025, totalizando 262 respostas válidas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, utilizando frequências absolutas e relativas e testes de associação, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: Observou-se elevada prevalência de utilização de vasoconstritores nasais entre os participantes, frequentemente associada à automedicação e à presença de condições respiratórias. Verificou-se, ainda, que estudantes dos períodos mais avançados apresentaram maior conhecimento acerca dos riscos relacionados ao uso desses medicamentos, evidenciando associação entre o avanço na graduação e o aumento do conhecimento. Da mesma forma, a orientação recebida durante a formação acadêmica mostrou-se associada a melhores níveis de conhecimento. Entretanto, não foi observada associação significativa entre maior conhecimento e a adoção de comportamentos mais seguros, como menor prática de automedicação, menor uso prolongado ou menor indicação desses medicamentos a terceiros. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados demonstram que, embora a formação médica contribua para ampliar o conhecimento sobre os riscos dos vasoconstritores nasais, esse conhecimento, isoladamente, não é suficiente para promover mudanças consistentes nos hábitos de utilização. Conclui-se que são necessárias estratégias educativas que, além da transmissão de informações, incentivem a adoção de práticas voltadas ao uso racional de medicamentos, contribuindo para a prevenção da automedicação inadequada e de suas possíveis complicações.
PALAVRAS-CHAVE: Automedicação; Vasoconstritores nasais; Rinite medicamentosa; estudantes de Medicina; Uso racional de medicamentos.
Votação encerrada.