O PROBLEMA DO RESSENTIMENTO EM NIETZSCHE E O SUPEREU FREUDIANO RESSENTIMENTO NIETZSCHIANO E A DINÂMICA MORAL DO SUPEREU FREUDIANO
INTRODUÇÃO: A investigação sobre a constituição da subjetividade ocidental contemporânea exige o confronto reflexivo entre a crítica cultural de Friedrich Nietzsche e a metapsicologia de Sigmund Freud. Diante dos impasses da civilização e da repressão das forças instintivas humanas, o fenômeno do ressentimento e a emergência da má consciência no pensamento nietzschiano estabelecem um diálogo profundo com a formação do Supereu culposo e do Mal-Estar na cultura no pensamento freudiano, revelando o processo pelo qual a agressividade e a crueldade, quando impedidas de se manifestarem externamente, refluem para o interior do indivíduo e resultam em um adoecimento psíquico coletivo. OBJETIVOS: Compreender as contribuições conceituais de Nietzsche para a elaboração do Supereu e do Mal-Estar na cultura em Freud a partir da análise da noção de ressentimento na obra Para a Genealogia da Moral, definindo as categorias metapsicológicas e filosóficas de ambos os autores, mapeando suas implicações teóricas e explorando a crítica à inversão dos valores morais à luz da matriz schopenhaueriana da Vontade. MATERIAIS E MÉTODO: Adotou-se a Revisão Bibliográfica de Natureza Teórica e Conceitual Estruturada, pautada pela exegese de obras primárias e pelo levantamento sistemático de dezessete fontes secundárias especializadas em repositórios acadêmicos, aplicando-se a análise de conteúdo para a matriz comparativa. RESULTADOS: A análise teórica demonstrou que a principal convergência entre Nietzsche e Freud reside no reconhecimento da cultura e do Estado como agentes que interditam a agressividade externa do sujeito, forçando a introjeção da força reativa e a sua institucionalização sob a forma de autoridade psíquica punitiva (má consciência e Supereu). Identificou-se que o ressentido e o neurótico partilham de uma incapacidade de esquecer e de uma atemporalidade mnemônica que paralisa a ação espontânea, fenômeno exacerbado no contemporâneo pela exposição narcisista e pelo dever de autoconscientização. Evidenciou-se, ainda, que a matriz ética de Schopenhauer sobre a Vontade de Viver e a ascese desdobrou-se de modo distinto nos dois autores: enquanto a tentativa neurótica de evitar a dor reproduz a negação do mundo, o arcabouço psicanalítico e a filosofia dionisíaca convocam o sujeito à superação do ressentimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo conclui que Nietzsche e Freud caminham de forma paralela no diagnóstico do sofrimento humano civilizatório, indicando que a travessia trágica da dor, a aceitação do desamparo estrutural e o acolhimento do Amor Fati constituem os únicos caminhos para a superação da servidão moral e para a reabilitação da potência do corpo e dos afetos.
PALAVRAS-CHAVE: Ressentimento; Supereu; Má consciência; Mal-Estar na Cultura; Vontade de Potência.
Votação encerrada.