Logo PUCPR

O ENVELHE(SER) ENTRE OLHARES E PALAVRAS: NARRATIVAS VISUAIS E DISCURSIVAS SOBRE A VELHICE E O ETARISMO EM OFICINAS DE FOTOGRAFIA

SANTOS, Julia Ostapeche dos¹; GARCIA, Wallisten Passos³
Curso do(a) Estudante: Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Psicologia – Escola de Medicina e Ciências da Vida – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A velhice constitui uma vivência singular, relacional e socialmente mediada. Em uma sociedade que valoriza a juventude, concepções reducionistas sobre o envelhecimento podem produzir práticas etaristas e atravessar a maneira como as pessoas idosas percebem a si mesmas e são reconhecidas pelos outros. A fotografia, como recurso de pesquisa e intervenção, pode favorecer a expressão de vivências e a problematização de sentidos naturalizados sobre a velhice. OBJETIVOS: Compreender os sentidos atribuídos à velhice e às vivências de etarismo e suas possíveis transformações ao longo de oficinas fotográficas com mulheres idosas. Especificamente, buscou-se compreender os sentidos atribuídos pelas participantes à velhice e às vivências de etarismo interpessoal e autodirigido nas etapas iniciais das oficinas e identificar possíveis transformações em suas percepções ao longo dos encontros. MATERIAIS E MÉTODO: Desenvolveu-se uma pesquisa-intervenção de natureza crítica por meio da oficina de fotografia “Memória em Foco”, realizada com oito mulheres com 60 anos ou mais. Os encontros foram gravados em áudio e posteriormente transcritos. As narrativas orais, as fotografias trazidas ou produzidas pelas participantes e as narrativas associadas às imagens constituíram o material analisado. A análise foi orientada pela análise dialógica do discurso, considerando os materiais como enunciados verbais e verbo-visuais produzidos nas situações concretas de interação. RESULTADOS: As narrativas relacionaram o envelhecimento às transformações corporais, à perda de autonomia, à finitude e ao medo de doenças, mas também aos aprendizados construídos ao longo da vida, ao cuidado com a saúde, ao prazer, à continuidade das atividades e à construção de projetos. As relações familiares foram atravessadas por críticas, questionamentos da autonomia e manifestações de etarismo, enquanto o convívio entre pares produziu sentidos de pertencimento, expressão e reconhecimento. As fotografias mobilizaram memórias, afetos, vínculos e aspectos das trajetórias pessoais. Ao longo das oficinas, os sentidos atribuídos à velhice não se transformaram de maneira linear, permanecendo em coexistência concepções relacionadas às perdas e às possibilidades, às limitações e à construção de projetos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A oficina favoreceu a escuta, o compartilhamento de vivências e a problematização de concepções naturalizadas sobre a velhice e o etarismo. Embora não tenha sido possível afirmar uma ressignificação integral das vivências, os encontros abriram espaço para a ampliação e a produção compartilhada de sentidos sobre o envelhecer.

PALAVRAS-CHAVE: Velhice; Etarismo; Fotografia; Mulheres idosas; Análise dialógica do discurso.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

QUERO VOTAR NESTE TRABALHO

Votação encerrada.