IMPACTOS DO TOC EM UNIVERSITÁRIOS: UM REVISÃO SISTEMÁTICA
INTRODUÇÃO: O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) constitui condição psiquiátrica caracterizada por obsessões e compulsões recorrentes, persistentes e intrusivas, com relevância estimada entre 1% e 2,5% ao longo da vida. Mais de 80% dos casos iniciam-se até o começo da vida adulta e 50% até os 17 anos, período que coincide com o ingresso e permanência no ensino superior, contexto marcado por elevada exigência acadêmica, estresse e vulnerabilidade psíquica. OBJETIVOS: Analisar, mediante revisão da literatura dos últimos dez anos, os impactos do TOC em estudantes universitários, identificando tais impactos, estimando sua prevalência nessa população e propondo aplicações práticas de intervenção. MATERIAIS E MÉTODO: Realizou-se revisão sistemática qualitativa na base de dados PubMed, em setembro de 2025, orientada pelos protocolos PRISMA 2020 e PRISMA-S. Entregaram-se os descritores CeCS/MeSH Obsessive-Compulsive Disorder, Quality of Life e Students, sem filtros adicionais. Incluíram-se artigos publicados entre 2015 e 2025, em português ou inglês, cuja população fosse composta por estudantes universitários e que abordassem o TOC, sua prevalência e/ou seus impactos; excluíram-se capítulos de livros, anais, editoriais, protocolos, dissertações, comentários, revisões e estudos sem resumo ou acesso on-line. A elegibilidade seguiu triagem por título e palavras-chave, análise de resumos e leitura integral, com extração de dados em planilha estruturada. RESULTADOS: Dos 40 registros identificados, 28 permaneceram após a delimitação temporal e nove compuseram a síntese final, totalizando 4.495 participantes, dos quais 66,3% mulheres. Verificou-se acentuada heterogeneidade metodológica, com delineamentos transversais, observacionais e ensaios clínicos, e amostras entre 27 e 2.091 participantes. A prevalência de sintomas obsessivo-compulsivos variou de 3,8% e 43%, discrepância atribuída à diversidade de instrumentos avaliativos, a fatores socioculturais e a recortes temporais, sobretudo o período da pandemia de COVID-19. Constatou-se correlação negativa entre a expressão sintomática e qualidade de vida, com predomínio de sintomas depressivos, má qualidade do sono e prejuízos das relações sociais, além de associações com dependência de smartphone, uso problemático da internet, ortorexia, transtorno dismórfico corporal e anorexia nervosa. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a população universitária apresenta elevada carga de fenomenologia obsessivo-compulsiva e situa-se na janela epidemiológica de maior incidência e menor acesso a tratamento, embora persista lacuna de mensurações objetivas de evasão, desempenho acadêmico e qualidade de vida. Recomendam-se intervenções de primeira linha, como a terapia cognitivo-comportamental por internet, no rastreamento e manejo precoce intra-campus.
PALAVRAS-CHAVE: Transtorno obsessivo-compulsivo; Estudantes universitários; Qualidade de vida; Saúde mental; Psiquiatria.
Votação encerrada.