IMPLANTE 3D DE ALGINATO PARA REPARAÇÃO TRAQUEAL EM COELHOS
INTRODUÇÃO: As lesões traqueais representam um importante desafio clínico devido à complexidade estrutural da traqueia e às limitações dos métodos atualmente disponíveis para sua reconstrução. Nesse contexto, a engenharia tecidual tem se destacado pelo desenvolvimento de biomateriais capazes de atuar como scaffolds para favorecer a regeneração tecidual OBJETIVOS: Realizar a análise histológica e morfométrica da reparação traqueal em coelhos submetidos ao implante de um scaffold de alginato obtido por bioimpressão 3D, avaliando seu potencial como biomaterial para reconstrução traqueal MATERIAIS E MÉTODO: Foram utilizados 15 coelhos da raça Nova Zelândia, distribuídos em dois grupos experimentais: Controle (n=5), submetido apenas à traqueostomia, e Alginato 3D (n=10), submetido à traqueostomia seguida da implantação do scaffold. O biomaterial foi caracterizado por microscopia eletrônica de varredura (MEV) e espectroscopia por energia dispersiva de raios X (EDS), enquanto a avaliação morfométrica foi realizada por meio da mensuração da área e do perímetro da luz traqueal. Os dados foram analisados estatisticamente utilizando o software Jamovi®, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: Dos 15 animais, 14 completaram o período experimental de 47 dias, sendo registrado apenas um óbito precoce, provavelmente relacionado ao procedimento cirúrgico ou anestésico. A caracterização do scaffold evidenciou arquitetura porosa e altamente interconectada, distribuição homogênea dos componentes da matriz polimérica e adequada integridade estrutural, características compatíveis com biomateriais destinados à engenharia tecidual. A análise por EDS confirmou a incorporação uniforme dos componentes bioativos e a homogeneidade química do scaffold. Na avaliação morfométrica, embora o grupo tratado com alginato tenha apresentado médias numericamente superiores para área e perímetro da luz traqueal, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em relação ao grupo controle (p>0,05). Além disso, os animais do grupo experimental não apresentaram sinais clínicos de rejeição do biomaterial ou complicações respiratórias durante o acompanhamento CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que o scaffold de alginato impresso em 3D apresentou adequada biocompatibilidade, facilidade de manipulação cirúrgica e características morfológicas favoráveis para aplicações em engenharia tecidual. Apesar da ausência de diferenças morfométricas significativas entre os grupos, os resultados obtidos reforçam o potencial do biomaterial para aplicações em reconstrução traqueal, sendo necessários estudos adicionais com maior número de animais e análises histológicas e imunohistoquímicas para melhor compreensão de seu potencial regenerativo.
PALAVRAS-CHAVE: Engenharia de Tecidos; traqueia; traqueostomia; alginato; modelo experimental.
Votação encerrada.