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ANÁLISE DAS CIDADES DE ANTIOQUIA E CONSTANTINOPLA A PARTIR DA OBRA DO AUTOR IBN BATTUTA (1304-1368)

SABATKE, Jhonatan Moreira¹; MOCELIM, Adriana³
Curso do(a) Estudante: Licenciatura em História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): História – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A literatura de viagem medieval constitui um campo fecundo para a análise das representações culturais e das dinâmicas de alteridade. No contexto do século XIV, os relatos operavam não apenas como descrições geográficas neutras, mas como complexos construtos identitários e discursivos. A obra Rihla, do erudito e viajante magrebino Ibn Battuta, insere-se nessa vertente, oferecendo um vasto panorama sobre as tensões políticas, religiosas e sociais que estruturavam o Mediterrâneo e o Oriente Próximo. OBJETIVOS: O presente estudo tem como objetivo principal analisar as representações das cidades de Antioquia e Constantinopla no relato de Ibn Battuta, investigando como a narrativa atua como um espaço de construção identitária e de percepção do Outro. Busca-se compreender, de forma mais específica, de que maneira a dicotomia espacial, jurídica e teológica entre os territórios submetidos ao poder central de sua origem e as terras sob domínio estrangeiro estruturou a visão do autor sobre as populações e as fronteiras visitadas. MATERIAIS E MÉTODO: Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se nos pressupostos teóricos da História Cultural, encarando o relato de viagem como uma representação carregada de intencionalidades, mediada por lógicas de poder e pelas contingências de quem a escreve. A análise documental centrou-se em trechos primários da Rihla, utilizando o conceito metodológico da retórica da alteridade para decodificar como o viajante utiliza a descrição estrangeira como um espelho de sua própria cultura, traduzindo o desconhecido a partir de seus dogmas. RESULTADOS: Os resultados evidenciam que a percepção de Antioquia é fortemente marcada pela memória militar e pela conquista territorial simbolizada pela conquista sobre as ameaças cristãs e a submissão das minorias locais. Em contrapartida, a inserção diplomática em Constantinopla, capital do Império Bizantino, impõe ao autor um profundo choque sensorial e moral. Para tornar o espaço inexplorado inteligível ao seu público leitor, Ibn Battuta recorre a estratégias de tradução cultural, equiparando, por exemplo, a infraestrutura monástica cristã às instituições de caridade de sua própria fé. Contudo, essa tentativa de familiarização esbarra em limites dogmáticos intransponíveis, culminando na recusa em participar de rituais e na formulação de severos julgamentos estéticos e morais sobre os bairros habitados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que as diversas descrições urbanas presentes na obra transcendem o registro factual, operando como um mecanismo de legitimação. Ao observar as sociedades francas, armênias e bizantinas, o viajante reafirmava a centralidade, a coesão e a superioridade de seu próprio marco civilizatório, demonstrando que a escrita sobre a alteridade funcionou como uma poderosa ferramenta de fixação de fronteiras identitárias no medievo.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura de viagem; Ibn Battuta; Alteridade; História Cultural; Oriente Próximo.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida com bolsa Fundação Araucária no programa PIBIC.

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