A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA INTELIGÊNCIA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: CRÍTICA FILOSÓFICA A PARTIR DE KATE CRAWFORD
INTRODUÇÃO: A Inteligência Artificial (IA) se consolidou como a tecnologia mais influente da atualidade, sendo amplamente utilizada no mundo inteiro para tomada de decisões em diversos setores, como: social, econômico, político e militar. No entanto, o discurso dominante frequentemente atribui às máquinas um sistema autônomo e neutro. Com o presente estudo, pretende-se evidenciar a improcedência de tal afirmação. Diante desse cenário, surge a necessidade de investigar de forma crítica os pressupostos que sustentam a noção de inteligência atribuída a esses modelos. OBJETIVOS: Analisar criticamente a construção sociotécnica e epistemológica da noção de “inteligência” atribuída aos modelos de Inteligência Artificial contemporâneos, tomando como fundamentação teórica central a obra “Atlas of AI”, de Kate Crawford, articulada aos referenciais da filosofia da mente, da neurociência e da filosofia da tecnologia. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa de caráter teórico-conceitual pautada na revisão bibliográfica. RESULTADOS: Constatou-se que avaliar a IA por réguas humanas incorre inevitavelmente no antropocentrismo cognitivo e na falácia mereológica. Tal equívoco compromete o debate público ao promover uma visão intelectualmente limitada, confundindo um módulo de linguagem com uma mente integral. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a IA não deve ser compreendida como uma reprodução abstrata da mente humana, mas como um arranjo sociotécnico complexo, materialmente situado e ontologicamente plural. Desmistificar o fetiche da autonomia tecnológica e reconhecer os custos ambientais e humanos por trás dos modelos permite afastar expectativas antropocêntricas equivocadas e analisar as inteligências artificiais por suas reais estruturas, limitações e modos de existência.
PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Artificial; Filosofia da Técnica; Neutralidade Tecnológica.
Votação encerrada.