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IA, MATÉRIA E ENERGIA: CRÍTICA À INFRAESTRUTURA EXTRATIVISTA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

RESENDE, Gabriela Sanches¹; CANDIOTTO, Kleber Bez Birolo³
Curso do(a) Estudante: Direito – Escola de Direito – Câmpus Curitiba
Curso do(a) Orientador(a): Filosofia – Escola de Educação e Humanidades – Câmpus Curitiba

INTRODUÇÃO: A Inteligência Artificial é frequentemente apresentada como uma tecnologia essencialmente digital, associada à virtualidade, à automação e à inovação. Entretanto, conforme argumenta Kate Crawford (2021), essa narrativa tende a ocultar a infraestrutura material que sustenta seu desenvolvimento e funcionamento. OBJETIVOS: Investigar as condições materiais e energéticas que tornam possível a operação dos sistemas de Inteligência Artificial, com foco nos processos de extração de minerais críticos, no consumo de energia e nas formas de trabalho humano invisibilizadas que integram essa infraestrutura. MATERIAIS E MÉTODO: A pesquisa possui natureza bibliográfica e documental, fundamentada na análise de livros, artigos científicos, relatórios técnicos, documentos produzidos por organismos internacionais e publicações especializadas sobre Inteligência Artificial, mineração, sustentabilidade, geopolítica e trabalho digital, com destaque para as contribuições de Kate Crawford (2021) e Luciano Floridi (2023). RESULTADOS: Os resultados demonstraram que a expansão da Inteligência Artificial depende diretamente da exploração de minerais estratégicos, como lítio, cobre, cobalto, níquel e terras raras, empregados na fabricação de processadores, semicondutores, servidores e demais componentes eletrônicos. Evidenciou-se que parcela significativa desses recursos é extraída em países do Sul Global, especialmente na América Latina, região que concentra importantes reservas minerais, como as existentes no Triângulo do Lítio, enquanto as etapas de maior valor agregado, como o refino e o desenvolvimento tecnológico, permanecem concentradas em economias centrais. A pesquisa também identificou uma relação de interdependência entre mineração e Inteligência Artificial, uma vez que algoritmos de aprendizado de máquina passaram a ser empregados para otimizar a própria atividade minerária, ampliando a produtividade e intensificando a exploração dos recursos naturais. No âmbito ambiental, constatou-se que o treinamento e a operação de grandes modelos de linguagem exigem elevado consumo de eletricidade e água, em razão da expansão dos data centers e de seus sistemas de resfriamento, ampliando a pressão sobre recursos naturais estratégicos e as emissões associadas à infraestrutura digital. Paralelamente, verificou-se que o funcionamento da Inteligência Artificial depende de uma ampla cadeia de trabalho humano responsável pela coleta, classificação, rotulação e moderação de dados, desempenhada majoritariamente por trabalhadores localizados em países periféricos, frequentemente submetidos a baixos salários, fragmentação produtiva e reduzida proteção social. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a Inteligência Artificial não pode ser compreendida apenas como uma inovação tecnológica ou um conjunto de algoritmos, mas como uma infraestrutura material complexa, sustentada pela exploração de recursos naturais, pelo consumo intensivo de energia e água e por relações de trabalho frequentemente invisibilizadas. Ao evidenciar essas dimensões, a pesquisa contribui para ampliar o debate sobre a governança da Inteligência Artificial, indicando a necessidade de que sua regulação incorpore, além dos aspectos técnicos e informacionais, os impactos socioambientais, trabalhistas e geopolíticos decorrentes da expansão da infraestrutura digital contemporânea.

PALAVRAS-CHAVE: Inteligência Artificial; Infraestrutura digital; Mineração; Sustentabilidade; Trabalho digital.

APRESENTAÇÃO EM VÍDEO

Legendas:
  1. Estudante
  2. Colaborador
  3. Orientador
Esta pesquisa foi desenvolvida na modalidade voluntária no programa PIBIC.

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