PERFIL DE SAÚDE BUCAL AUTOPERCEBIDA E QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE BUCAL DE GESTANTES: UM ESTUDO TRANSVERSAL
INTRODUÇÃO: A gestação envolve alterações fisiológica e hormonais que predispõem a agravos bucais. Embora a atenção à saúde bucal integre o pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS), barreiras de acesso e crenças individuais ainda limitam o atendimento. A avaliação da saúde bucal por meio da autopercepção e da qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) complementa o diagnóstico clínico ao mensurar os impactos subjetivos, físicos e psicossociais no cotidiano das gestantes. OBJETIVOS: Avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde bucal e caracterizar o perfil de saúde bucal autopercebido de gestantes atendidas pelo serviço público de saúde de Curitiba-PR, além de descrever a prevalência da QVRSB nessa população. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo transversal vinculado à Coorte de Saúde Materno-Infantil em Curitiba (COOSMIC). A amostragem foi composta por gestantes que responderam ao questionário Oral Health Impact Profile (OHIP-14) durante a gestação. Os dados foram coletados presencialmente ou por telefone por equipe treinada e armazenados na plataforma Qualtrics. Avaliaram-se variáveis sociodemográficas, obstétricas, de atendimento e de problemas bucais autorrelatados. O desfecho de QVRSB pelo OHIP-14 foi dicotomizado em ausência de impacto (escore total <16) e presença de impacto (escore total ≥16). RESULTADOS: Foram avaliadas 488 gestantes, das quais a maioria era branca (58%), casada (65%), com ensino médio completo (45%) e renda entre 1 e 3 salários mínimos (59%). A maioria realizou consulta odontológica na gestação (60%) e apresentou gestação de risco habitual (59%). Quanto à autopercepção (n=416), 57,5% não relataram problemas bucais; entre as queixas, destacaram-se o sangramento gengival (23,3%), a dor de dente (16,3%) e a cárie (14,5%). Nos itens do OHIP-14, preocupação (19,2%), incômodo ao comer (16,6%) e dor (16,3%) apresentaram as maiores frequências de respostas diferentes de “Nunca”. Na análise da QVRSB, 65,9% (274) não apresentaram impacto e 34,1% (142) apresentaram impacto. Os domínios com maiores médias de impacto foram “Desconforto Psicológico” (2,76) e “Dor Física” (2,72). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Predominou uma autopercepção positiva e uma baixa prevalência de impacto negativo global na QVRSB entre as gestantes, apesar dos relatos de sintomas clínicos. Os prejuízos concentram-se nos aspectos físicos e emocionais, reforçando a importância doa colhimento das queixas subjetivas no pré-natal odontológico.
PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de vida; Saúde bucal; Gestantes; Autopercepção; Prevalência.
Votação encerrada.