AVALIAÇÃO DE UM MODELO
IN VITRO DA DOENÇA
DE PARKINSON EM CÉLULAS NEURONAIS
INTRODUÇÃO: A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa caracterizada, entre outros aspectos, pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos e pela presença de agregados proteicos ricos em alfa-sinucleína. Alterações na função lisossomal podem comprometer a degradação dessa proteína e favorecer seu acúmulo intracelular. Nesse contexto, células SH-SY5Y constituem um modelo in vitro amplamente empregado no estudo de mecanismos relacionados à doença de Parkinson. OBJETIVOS: Caracterizar os efeitos do cloreto de amônio na viabilidade, morfologia e formação de agregados de alfa-sinucleína em células SH-SY5Y MATERIAIS E MÉTODO: As células SH-SY5Y foram cultivadas em condições padrão e tratadas com cloreto de amônio nas concentrações de 5, 10, 15 e 25 mM durante 48 horas. As alterações morfológicas foram acompanhadas por microscopia óptica após 24 e 48 horas de tratamento. A atividade mitocondrial e a função lisossomal foram avaliadas pelos ensaios de XTT e vermelho neutro, respectivamente. Para a detecção de agregados proteicos, foram testados três protocolos de coloração com thioflavina S, incluindo duas variações do protocolo-base com etapas de permeabilização e bloqueio. RESULTADOS: Após 24 horas de tratamento, foram observados vacúolos intracelulares nas concentrações de 5 e 10 mM, enquanto as concentrações de 15 e 25 mM provocaram arredondamento celular e presença de células no sobrenadante. Após 48 horas, essas alterações foram reduzidas e as células apresentaram morfologia mais semelhante ao controle. O ensaio de XTT não demonstrou diferença significativa entre os grupos tratados e o controle, indicando preservação da atividade mitocondrial. Em contrapartida, o ensaio de vermelho neutro demonstrou alterações significativas nos grupos tratados com 10, 15 e 25 mM de cloreto de amônio, evidenciando comprometimento da função lisossomal. Não foram identificados agregados proteicos detectáveis pela thioflavina S. Alguns dos protocolos testados também apresentaram fluorescência inespecífica, dificultando a análise das amostras. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O tratamento com cloreto de amônio promoveu alterações morfológicas transitórias e comprometimento da função lisossomal em células SH-SY5Y, sem reduzir significativamente a atividade mitocondrial. Entretanto, nas condições experimentais avaliadas, não foi possível detectar a formação de agregados proteicos por meio da coloração com thioflavina S. Os resultados indicam a necessidade de ajustes no tempo e nas concentrações de tratamento, da padronização da coloração com thioflavina S e da utilização de métodos complementares para a detecção específica de alfa-sinucleína.
PALAVRAS-CHAVE: Doença de Parkinson; cloreto de amônio; SH-SY5Y; lisossomo; thioflavina S.
Votação encerrada.