A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE NA VELHICE
INTRODUÇÃO: Apesar do crescimento da população idosa no Brasil, a velhice ainda é atravessada por preconceitos e estereótipos que contribuem para a desvalorização social, estética e intelectual. Nesse cenário, considerando o número expressivo de pessoas idosas que residem em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), torna-se relevante investigar de que modo a institucionalização, associada às diferentes formas de exclusão, repercute na constituição da subjetividade, na percepção de si e nos vínculos afetivos dessa população. OBJETIVOS: O objetivo geral da pesquisa foi analisar como as pessoas idosas institucionalizadas relatam sobre si, sobre sua identidade e seus vínculos afetivos. Para isso, investigou-se como se dá a construção da identidade social e pessoal na velhice em uma perspectiva psicanalítica, como as pessoas idosas percebem seus vínculos afetivos dentro e fora da instituição e analisar se a institucionalização impacta a percepção de si e das relações dos idosos e, se sim, quais aspectos são impactados. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com coleta de dados empíricos. Os dados foram coletados utilizando-se da metodologia de história oral, enquanto para a análise de dados foi utilizada a metodologia de Análise de Conteúdo, com ênfase na modalidade temática. RESULTADOS: Participaram da pesquisa seis pessoas idosas de uma mesma ILPI, sendo dois homens e quatro mulheres. O tempo de permanência na instituição variou entre 15 dias e 7 anos. Foi possível perceber que os participantes apresentaram dificuldades para narrar sobre si, especialmente em relação ao tempo presente, recorrendo com frequência às experiências e lembranças do passado. Além disso, aspectos relacionados à experiência de institucionalização mostraram-se relevantes para a compreensão dos modos pelos quais essas pessoas vivenciam suas subjetividades, destacando-se a fragilização ou redução de vínculos afetivos e a restrição das possibilidades de estabelecimento de novos investimentos libidinais CONSIDERAÇÕES FINAIS: Notou-se que a institucionalização impacta a subjetividade da pessoa idosa e como ela relata sobre si, especialmente quando as possibilidades de expressão da singularidade e de vivência do envelhecimento são limitadas. Esses achados indicam a importância de práticas institucionais que reconheçam a singularidade das pessoas idosas e favoreçam a preservação dos vínculos, a autonomia e a construção de novas possibilidades de investimento afetivo.
PALAVRAS-CHAVE: Pessoa Idosa; Institucionalização; Identidade; ILPI.
Votação encerrada.