“EDUCAR PARA A COMPAIXÃO”: VALIDAÇÃO DO ENACT PROGRAM PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE – ABORDAGEM QUALITATIVA
INTRODUÇÃO: A compaixão tem ganhado crescente atenção no campo da saúde como um elemento central para a qualidade do cuidado. É considerada uma competência relacional que envolve o reconhecimento do sofrimento do outro e o desejo genuíno de aliviá-lo por meio de ações práticas. No Brasil, embora a humanização do cuidado seja um princípio do SUS, há escassez de iniciativas que operacionalizem a compaixão como uma competência passível de desenvolvimento e avaliação na prática clínica. OBJETIVOS: Investigar, por meio de dados qualitativos, as percepções de profissionais de saúde sobre a compaixão na prática do cuidado, antes e depois da participação no EnACT Program. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo quase-experimental, de pesquisa-intervenção com delineamento multimétodo. Participaram do treinamento 30 profissionais de saúde de um hospital público especializado em cuidados paliativos. Os participantes responderam a instrumentos pré e pós-intervenção. O questionário pré-intervenção incluiu a Avaliação de Necessidades de Aprendizagem em Compaixão (ANAC), que contém 3 respostas abertas relacionadas às barreiras percebidas à prática da compaixão no ambiente hospitalar. Cerca de um mês após o programa, foram realizadas 26 entrevistas qualitativas. Os dados qualitativos foram submetidos à análise temática, conforme Braun e Clark (2006), e comparadas as percepções entre antes e depois do treinamento. RESULTADOS: Antes da intervenção, as barreiras percebidas foram agrupadas em três temas: sistêmicas e relacionadas ao ambiente de trabalho; relacionais e de comunicação; e pessoais e de informação. Nas entrevistas posteriores, os participantes destacaram as contribuições dos processos educativos para o desenvolvimento da competência em compaixão; a importância do engajamento interprofissional, das lideranças e do apoio institucional; a necessidade de sistematização e sustentabilidade das práticas compassivas; e a permanência de barreiras sistêmicas e operacionais. Embora alguns profissionais já se considerassem compassivos antes do treinamento, os participantes relataram a ampliação de conhecimentos, mudanças percebidas na prática profissional e o aprimoramento de competência em compaixão. A ampliação do programa para outros contextos e grupos profissionais, a oferta de formação continuada e o desenvolvimento de estratégias de acompanhamento que favoreçam a sustentabilidade da prática de cuidado compassivo foram assinalados como fatores para a construção de culturas compassivas em saúde. Participantes perceberam o papel das lideranças como essenciais para a promoção de um modelo de cuidado compassivo, na medida que atuam como multiplicadores. Enquanto algumas barreiras relacionadas ao conhecimento sobre a compaixão pareceram ser enfrentadas pela capacitação, barreiras sistêmicas, operacionais e relacionais permaneceram reconhecidas como limitações à prática de compaixão no contexto investigado. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O EnACT Program demonstrou potencial de aceitabilidade e aplicabilidade no contexto hospitalar investigado, contribuindo, segundo a percepção dos participantes, para ampliar a conscientização e a intencionalidade relacionadas à prática da compaixão no cuidado. Os resultados também evidenciam que a capacitação profissional deve ser acompanhada pelo envolvimento das lideranças e por intervenções organizacionais que favoreçam a construção e a sustentabilidade de culturas compassivas.
PALAVRAS-CHAVE: Treinamento em Compaixão; Profissionais de Saúde; EnACT Program.
Votação encerrada.