AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM INSULINA INTRANASAL NA RECUPERAÇÃO OLFATÓRIA PERSISTENTE PÓS – COVID19
INTRODUÇÃO: A perda do olfato é uma importante consequência decorrente da COVID-19. Os tratamentos desenvolvidos até então ou não são totalmente efetivos, ou de longa duração. OBJETIVOS: Avaliar a eficácia do tratamento com insulina intranasal, associado ao treinamento olfatório, na recuperação da função olfatória de pacientes com disfunção olfatória persistente pós-COVID-19, em comparação ao treinamento olfatório clássico isoladamente. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo comparativo, prospectivo e não randomizado, conduzido em pacientes com hiposmia ou anosmia persistente há, no mínimo, seis meses após confirmação laboratorial de infecção por SARS-CoV-2. A amostra final (N = 46) foi distribuída, de forma não randomizada, entre um braço tratado com insulina intranasal associada a treinamento olfatório (n = 8) e um braço controle submetido a treinamento olfatório isolado (n = 38). A função olfatória objetiva foi avaliada pelo University of Pennsylvania Smell Identification Test (UPSIT) e a percepção subjetiva pela Escala Visual Analógica (EVA), antes e ao final de cinco semanas de intervenção. O efeito do grupo sobre a variação do escore UPSIT foi estimado por regressão linear múltipla ajustada para idade e escore basal; o incômodo subjetivo final foi modelado por regressão logística de chances proporcionais; as prevalências de parosmia e fantosmia foram comparadas pelo teste Exato de Fisher. RESULTADOS: Os grupos diferiram significativamente na avaliação basal quanto à idade (53,25 versus 38,42 anos; p = 0,007) e ao escore UPSIT inicial (16,25 versus 22,61; p = 0,024). Após ajuste para essas covariáveis, a alocação de grupo não se associou de forma independente à variação do escore UPSIT (p = 0,589) nem ao incômodo subjetivo final (p = 0,121), e as prevalências de parosmia e fantosmia não diferiram entre os braços (p entre 0,379 e 1,000). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Não houve diferença estatística entre os grupos na avaliação da recuperação olfatória objetiva ou subjetiva pós-COVID-19 com o uso da insulina intranasal. Os achados reforçam a necessidade de ensaios clínicos randomizados, com alocação balanceada e cegamento do avaliador, para estabelecer com maior robustez o papel terapêutico da insulina intranasal nessa população.
PALAVRAS-CHAVE: COVID-19; Transtornos do Olfato; Insulina; Anosmia; Treinamento Olfatório.
Votação encerrada.