ANÁLISE DO USO DE OPIOIDES EM PACIENTES INTERNADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO: EFEITOS ADVERSOS, INTERVENÇÕES E PROPOSTAS DE MANEJO SEGURO
INTRODUÇÃO: Os opioides constituem a principal classe de analgésicos utilizada no tratamento da dor moderada a intensa em pacientes hospitalizados, sendo fundamentais em diferentes contextos clínicos e cirúrgicos. Entretanto, seu uso está associado à ocorrência de eventos adversos potencialmente graves, como sedação excessiva e depressão respiratória, tornando indispensáveis estratégias voltadas à promoção do uso seguro desses medicamentos e ao reconhecimento precoce de complicações. OBJETIVOS: Analisar o perfil de utilização dos opioides em pacientes internados em um hospital universitário, identificar os episódios que demandaram administração de naloxona, avaliar a resposta clínica após sua utilização e propor estratégias para o aprimoramento do manejo seguro dos opioides. MATERIAIS E MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, desenvolvido a partir da análise de dados referentes à utilização de opioides em pacientes internados no Hospital Universitário Cajuru, no período de novembro de 2024 a abril de 2025. Inicialmente, foram analisados relatórios institucionais contendo informações sobre os opioides utilizados, suas apresentações farmacêuticas, quantidade de unidades dispensadas e número de atendimentos associados. Posteriormente, realizou-se revisão sistemática dos prontuários eletrônicos dos pacientes que receberam naloxona, sendo coletadas variáveis demográficas, clínicas e farmacológicas. Os dados foram organizados em planilha eletrônica (Microsoft Excel®) e submetidos à análise estatística descritiva. RESULTADOS: O tramadol foi o opioide mais utilizado durante o período analisado, apresentando o maior número de unidades e atendimentos associados, seguido por morfina e fentanila. Foram identificados 89 episódios de administração de naloxona, correspondentes a 87 pacientes, totalizando 114 ampolas administradas. A média foi de 1,31 ampolas por episódio, sendo que aproximadamente 75 pacientes (86,2%) necessitaram apenas de uma administração. Predominaram pacientes do sexo masculino, adultos e idosos, frequentemente portadores de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e outras comorbidades crônicas. A fentanila foi o opioide mais frequentemente associado aos episódios que culminaram na administração de naloxona, seguida pela morfina. A maioria dos pacientes apresentou melhora clínica após a administração do antagonista, embora tenha sido observada importante heterogeneidade na documentação das indicações para seu uso e da evolução clínica subsequente. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo permitiu caracterizar o perfil institucional de utilização dos opioides e da naloxona, ampliando o conhecimento sobre o manejo desses medicamentos em ambiente hospitalar. Os resultados obtidos poderão subsidiar ações de farmacovigilância, o desenvolvimento de indicadores de qualidade e o planejamento de estratégias voltadas ao uso seguro dos opioides, contribuindo para o fortalecimento da segurança do paciente e para futuras pesquisas sobre eventos adversos relacionados a essa classe farmacológica.
PALAVRAS-CHAVE: Opioides; Naloxona; Segurança do paciente; Farmacovigilância; Analgesia hospitalar.
Votação encerrada.