AVALIAÇÃO DO USO DE INIBIDORES DE PARP EM CÂNCER DE MAMA COM MUTAÇÃO BRCA: DADOS DE VIDA REAL
INTRODUÇÃO: O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil, e é uma doença heterogênea do ponto de vista molecular. Tumores triplo-negativos, sem alvos terapêuticos bem definidos, associam-se a maior instabilidade genômica e a mutações nos genes BRCA1/2, envolvidos no reparo de DNA. Essas mutações abriram caminho para os inibidores de PARP, que promovem letalidade sintética em células com deficiência de reparo homólogo. No Brasil, esses fármacos já têm aprovação e uso na saúde suplementar, mas não foram incorporados ao SUS, evidenciando lacuna de acesso e justificando evidências locais de vida real. OBJETIVOS: Avaliar, em cenário de vida real, o uso de inibidores de PARP em pacientes com mutação BRCA e câncer de mama tratadas em instituição privada de Curitiba-PR entre 2022 e 2025, quanto a desfechos clínicos, segurança, adesão e qualidade de vida, caracterizando o perfil clínico e terapêutico das pacientes, sobrevida livre de progressão (SLP) e resposta ao tratamento, presença de eventos adversos e adesão à terapia e identificação de barreiras assistenciais e operacionais na incorporação dessa tecnologia. MATERIAIS E MÉTODO: Estudo observacional, retrospectivo e descritivo, baseado na coleta de informações de sistema de dados . A identificação das pacientes combinou três fontes: estimativa epidemiológica de prevalência de mutação BRCA, levantamento automatizado por inteligência artificial sobre evolução clínica e sistema de dispensação farmacêutica, com confirmação por revisão direta de prontuário. Dado o tamanho reduzido da casuística, os resultados são apresentados como relato de série de casos RESULTADOS: A estimativa inicial apontou 82 pacientes elegíveis, o levantamento por inteligência artificial identificou 15 e 9 candidatas, das quais apenas uma, em cada lista, foi confirmada como usuária real. Outras duas pacientes foram identificadas exclusivamente pelo sistema de dispensação. Ao final, três pacientes foram confirmadas, com 33, 37 e 44 anos respectivamente; duas com tumor triplo-negativo e uma luminal, com sobrevida livre de progressão de 5,2, 10,7 e 13,3 meses. Em relação a apresentação da doença, 2 casos foram doenças recidivadas, enquanto um deles apresentou-se como doença De novo metastática em SNC ao diagnóstico. O PARPi foi introduzido como terapia de 1ª linha metastática em 2 casos, e em um caso como 2ª linha metastática. Apenas uma paciente veio a óbito, sendo que a melhor resposta ao medicamento demonstrou controle importante da doença nos 3 casos. A avaliação sistemática de eventos adversos, adesão e qualidade de vida não foi possível a partir dos dados disponíveis. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Em relação aos objetivos do projeto, o perfil clínico e os desfechos das pacientes foram caracterizados com sucesso, enquanto a avaliação de segurança, adesão e qualidade de vida permaneceu limitada pela natureza retrospectiva da coleta. O achado mais robusto foi a identificação de barreiras assistenciais e operacionais: o hiato entre a população estimada, o levantamento automatizado e a casuística confirmada evidenciaram que nenhuma fonte de dados isolada é suficiente para dimensionar o uso real de PARPi na instituição, reforçando a necessidade de triangulação sistemática de fontes de dados e de estudos prospectivos futuros, inclusive sobre o uso do fármaco em doença de sistema nervoso central.
PALAVRAS-CHAVE: Câncer de mama; Mutação BRCA; Inibidores de PARP; Estudo de Vida real; Barreiras de acesso.
Votação encerrada.